Noites frescas e quentes
a noite tá fresca e quente. e noites, contraditoriamente, frescas e quentes me lembram todos os meus amores antigos, um a um. e lembram pq eram nas noites frescas e quentes que a gente fazia o que eu mais gostava: sentava na rua, no parque, no bar, na calçada ou parava no meio do caminho, de supetão, do nada, pra eu dizer: cara, que noite delícia, né? é. tá fresca e tá quente ao mesmo tempo. É. e aquilo pedia uma pausa, um tempo, uma mudança de plano, um vamo ficar aqui? vamo. e aí, quando a história acabava, aquilo se instalava como uma memória boa, uma recordação bonita, uma saudade pronta pra ser acionada numa outra noite fresca e quente. tipo hoje. tipo agora. tipo uma vontade de escrever para todos eles, dizendo: saudade da gente e das nossas noites frescas e quentes. mas enquanto eu pensava em escrever, meu peito me escrevia: aquelas noites não eram deles. aquelas noites eram minhas. e a única coisa similar entre todas aquelas histórias era eu ali — era eu fresca e quente.
entendi, então, tudo.
demorei meu olhar no tempo. e a noite me amou inteira.
