Sonhos

Em um dia de muito privilégio, me vi realizando um sonho de criança. Fiquei tão contente que quis sair correndo pelo tempo para encontrar a Natália que fui aos 10 anos. Tenho certeza que, independente do dia que eu chegasse, a encontraria brincando de pega pega. Carinha suada, cabelo em pé, joelho ralado, shorts rosa, coração disparado; parando de correr, do nada, para se perguntar: “ué! tá com quem agora?”

Então, aproveitaria a deixa, para levantá-la num abraço e dizer: terão dias difíceis no futuro — todos terão — mas em muitos você vai viver a alegria de oitenta vidas em um dia só. E esse sonho que você guarda no coração, bem embaixo dessa camiseta do Pato Donald, vai se realizar. Não do jeito que você imaginou. Vai ser esquisito e dolorido, mas também será maior e melhor. Vai ser lindo. E, quando acontecer, você vai jurar que cada coisa nessa vida é passível de transformação, de crescimento e de sentido. É só estar aberto e atento. Agora vai, porque tá com a Dani e ela é boa de corrida.