Dias difíceis para quem ainda tem coração…
Que somos um país partido não é novidade. Cada um pensa, vota e se expressa como convém ou de forma que lhe traga algum benefício. Não existe um bem comum. Existem necessidades básicas de oprimidos, revoltas de quem se sente tão pequeno e interesses de uma classe dominante, que a história já mostrou ser impossível partilharem de um mesmo ideal.
Mas tanto ódio, intolerância e principalmente piadas com técnicas de tortura deveriam ser inimagináveis em uma sociedade, que precisou batalhar tanto por liberdade e democracia. Pessoas morreram, foram perseguidas e separadas de suas famílias para que você e todos nós pudéssemos defender nossas opiniões.
Fui contra a posição de alguns amigos, que preferiram excluir quem tivesse posicionamento político diferente do deles, por acreditar, que sim, precisamos de diversidade. Sei que não sou dona da verdade e que todo dia aprendo um pouco mais. Minha profissão me ajuda muito nesse aprendizado. Só que inevitavelmente, acabamos nos fechando em nossas bolhas de amigos e interesses em comum, alimentando uma perspectiva unilateral e utópica. Daí, quando essa bolha estoura, de algum jeito, a realidade vem e dá uma rasteira na gente. Que dói. E como dói.
Hoje, chorei com uma postagem que tentava, mesmo que em vão, argumentar. Eu, mesmo sempre tão forte, chorei de tristeza, chorei de impotência, chorei porque não acreditava no que via. Chorei por partilhar da dor de uma jovem, que aos 23 anos sofreu com choques, pancadas e abusos sexuais, inclusive com ratos. E hoje as pessoas fazem graça disso, porque não aceitam o resultado de uma eleição. De onde surgiu tudo isso?
Gozam de sua dor, porque ela é mulher. Porque não está dentro do padrão de mãe e esposa “recatada”. Porque não foi a presidente que esperavam… Nunca quis tentar convencer ninguém de nada, mas agora também parei de tentar entender. Com sorte, amanhã vai ser outro dia.