Sobre contos de fadas, cinema e A Bela e a Fera…

Copyright Walt Disney Pictures 2017

Não comecei a gostar de livros lendo contos de fadas, também não foi um desenho clássico da Disney que me fez gamar nessa coisa de cinema. Essa história de magia entrou na minha vida por outro personagem, bem diferente do Mickey.

A definição da palavra magia é a crença de ser possível influenciar o curso dos acontecimentos e produzir efeitos não naturais, valendo-se da intervenção de seres fantásticos e da manipulação de algum princípio oculto supostamente presente na natureza, seja por meio de fórmulas rituais ou de ações simbólicas. No sentido mais básico, sem tanto porém e entretanto, magia é aquilo que encanta.

Os contos de fadas são a própria magia e o cinema é a forma mais bela que o ser humano encontrou de fazer magia contando histórias. Quando você resolve juntar os dois, é como multiplicar o encanto na tela. Esse ano a Disney fez isso, de novo, porque se há algo que ninguém faz melhor do que ela é encantar.

A Bela e a Fera era, e pra mim sempre foi — desde a primeira vi que assisti — , sobre amar além das aparências. O príncipe que julgava pela beleza foi encantado pela feiticeira e viveria como monstro pelo resto da vida se não fizesse alguém o amar por ser quem ele é. Nunca vi a Fera como um búfalo, ou torro, ou a mistura de diversos animais, é um homem preso num corpo “feio”, que não faria com que alguém o amasse pela beleza. Talvez por entender a moral da história, qualquer comparação com “a garota que se apaixonada por um animal” seja completamente ridícula para mim. Era, é e sempre será sobre amar alguém de verdade.

Então vi o live action. Desde os mínimos detalhes até a perfeita Trilha Sonora – essa nós já sabíamos que era espetacular, ainda que viesse dessa vez com algumas modificações e canções novas. Tudo estava encantador. Um teletransporte para um universo de conto de fadas com gente de carne e osso – alguns de metal, alumínio, madeira. Nada é mais importante que a história que está sendo contada, e essa regra permaneceu durante cada minuto do filme — desde a introdução da maldição até o baile final no castelo. Sua maior fidelidade ao clássico de 1991 não estava presente na reconstrução das cenas agora com atores reais, mas na ideia do que a história em sua essência gostaria de contar.

Copyright Walt Disney Pictures 2017

A atriz (Emma Watson) que cresceu fazendo magia na grande tela, dessa vez não precisou de varinhas mágicas e palavras em latim pra encantar. Sua melhor contribuição foi ser tão absolutamente bela – em todos os sentidos que esse adjetivo possa carregar. Fera, Gaston, Maurice, desenhos que ganharam vida, imaginação de carne e osso, daquelas que você não sabe definir se é a atuação, o figurino ou o cenário. É tudo isso, é o conjunto da obra. Talvez uma pequena decepção com Lefou, o qual disseram que apresentaria mais do que realmente foi.

Depois do banho de encanto a gente volta para a realidade e resmunga: “Por que só com esse? Por que não fez assim também com os outros?”. No fundo a gente sabe a resposta. É que como esse conto, não existe nenhum outro. Melhor que ele, só um live-action dele, e um estúdio que já encantou o mundo uma vez com essa mesma história, sabe disso melhor do que a gente.

Por fim, eu que reneguei tanto adaptações de animações clássicas e que até hoje não tinha aprovado completamente nenhuma, posso voltar atrás. Contos de fada valem a pena e o cinema é o lugar perfeito para eles.