Anestesia

Um pico, uma dose, um trago ou um tiro?

Oslo, 31 August — "Godard is dead"

Respire o ar que o sufoca, ame o amor que não desabrocha
Afie as lâminas e elimine o fracasso 
Ouça o clamor do metal forjado em sangue e rancor

Avermelhado, ensangüentado, amargurado

Amar é escravizar a própria vontade
Porque amar? Já sabeis o resultado, pra que se aventurar?
Se tudo é impulso que acaba em pulso
Encha o copo e desça todo o whisky
Vise um penhasco e se arrisque

Íngreme, abissal, mortal

Se esse amor é distorcer, enlouquecer, perecer
Nutrir o absurdo e nada receber
Amiúde, aguarde o enevoecer

Exaurir, sumir, desaparecer

O disparo que ensurdece
Um tiro que acelera
Óbito fustigante
Projétil que dilacera

Coragem, aceleração, afobação

Quem sabe um dia essa dor vire saudade 
Então preces e flores regarão a eternidade
Encerrado, aprisionado em concreto mal-acabado
Darão algum sentido ao corpo petrificado

Love is a losing game.