Anestesia
Um pico, uma dose, um trago ou um tiro?

Respire o ar que o sufoca, ame o amor que não desabrocha
Afie as lâminas e elimine o fracasso
Ouça o clamor do metal forjado em sangue e rancor
Avermelhado, ensangüentado, amargurado
Amar é escravizar a própria vontade
Porque amar? Já sabeis o resultado, pra que se aventurar?
Se tudo é impulso que acaba em pulso
Encha o copo e desça todo o whisky
Vise um penhasco e se arrisque
Íngreme, abissal, mortal
Se esse amor é distorcer, enlouquecer, perecer
Nutrir o absurdo e nada receber
Amiúde, aguarde o enevoecer
Exaurir, sumir, desaparecer
O disparo que ensurdece
Um tiro que acelera
Óbito fustigante
Projétil que dilacera
Coragem, aceleração, afobação
Quem sabe um dia essa dor vire saudade
Então preces e flores regarão a eternidade
Encerrado, aprisionado em concreto mal-acabado
Darão algum sentido ao corpo petrificado
Love is a losing game.