Fluxos.

Era uma terça-feira. Fazia muito calor e eu não podia esperar mais. Relutei muito para sair da cama mas eu sentia que precisava me libertar de algo. E não podia esperar. Quando cheguei naquele apartamento que me fez ser feliz durante 10 meses, tive ânsia de vômito. Deitei no sofá relembrando todos os momentos que passei. Embora alguns desentendimentos, foram momentos bons. Alegres eu diria. Mas aquelas lembranças não me fizeram bem, fui dar uma volta e demorei um bocado para voltar. Descobri lugares que nunca havia visto. Fiz amizades. O dia estava bonito e quente. Tive lembranças das corridas na praia. Aquela vida não me pertencia mais. Nem o apartamento.

Coloquei tudo do quarto na sala. Sozinha. Os porteiros, tristes pela minha mudança, me ajudaram a colocar tudo no carro. Depois que bati a porta de casa, senti um alívio gigante de ter concluído uma etapa. Nunca imaginei que fosse ficar tão feliz saindo de casa. Da minha casa. Aquela que eu sempre lutei para ter.

Foi difícil acreditar que aquele espaço realmente não me pertencia mais. Fui chorando durante o trajeto todo. Um choro de tristeza e liberdade. De medo e felicidade. De orgulho. Orgulho de provar para mim mesma que podemos concluir etapas sozinho. Com um empurrão de alguém mas sem ajuda de ninguém. Foi libertador para a alma.

Quando cheguei no ponto de destino, a minha ânsia não me deixou falhar. Cheguei focada, para dar logo um ponto final. Nas cinco viagens no elevador, lembrei de você. Era uma lembrança boa. Um filme de dez meses passou pela minha cabeça em trinta minutos. Sim, demorei trinta minutos para me liberta de tudo que eu trouxe. Sozinha. Um verdadeiro sobe e desce de emoções. Naquele momento senti a sua falta, lembrei de como eu gostaria de estar com você. Mas, ao contrário do que dizem por aí, senti que sozinhos somos mais fortes. Força é um sentido muito relativo. Todos nós temos basta saber usar. Naquele momento a minha força de mudar era tão grande quanto o meu pensamento em você. Na última viagem desse sobe e desce, inacreditavelmente, o elevador estava impregnado com o seu cheiro. Aquele que nunca foi comum. Cheirei o elevador todinho com a sensação que você estava ali do meu lado o tempo todo mas não apareceu para eu não perder a minha força. A força de um recomeço feliz.

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