Agradecimentos a Cony!

São Paulo, 19 de outubro de 2017.

Ao jornalista, redator e brilhante escritor,

Carlos Heitor Cony.

Há muito treino este agradecimento, Carlos, mas as palavras, como canarinhos, afugentam-se aos menores ruídos de meu pensamento…

Ainda ontem, patifes soi disant “vítimas de ardilosas armações”, tentaram demover-me desta tarefa, monopolizando, qual paquidermes alvos governamentais, minha atenção.

Tive de encontrá-las e cevá-las com ternura e a sutileza, como se as estivesse cultivando em meu âmago.

Na verdade, a semeadura ocorreu há mais de um mês, desde que, encantado, li, em um fim de semana tomado pelas letras e pelas saudades, seu monumento em homenagem às memórias de seu pai.

Nostalgia, essa, tão sua, intransferível e pessoal, que imagino intrínseca a seu próprio corpo físico, exigindo dolorosa e sangrenta cirurgia para encontrar vida autônoma nos anais da literatura.

Essa mesma dor deliciosa, refletiu-se em minh´alma, sendo possível clamar, agora, que ela é tão minha como sua. Este, o verdadeiro caráter comunitário das artes: somos todos irmãos nesta humanidade caótica de sentimentos eqüânimes!

Não seja cruel, amigo Carlos, enervando-se comigo.

Logicamente, suas lembranças são somente suas: cresci no interior de São Paulo, meu pai era engenheiro, nunca tendo vendido relógios, criado jacarés ou empenhado-se numa jornada para Fiuggi…

Mas a cada olhar, a cada sorriso, e, por sobre tudo, a cada entusiasmo, eu sabia que ele continuava vivo e que aquelas letras também referiam-se a ele.

É… Perdoe-me por ter-me apropriado dessas experiências mas eu realmente o senti, e ainda sinto, comigo, lendo e rindo, enquanto seu pai ia se encontrar com o “taumaturgo de Urucânia”, e você “cuidava da retaguarda”.

Como dizem aqui na minha terra, “me dá um nó nos gargomilo” agradecer-lhe assim, que chego a ter certeza de que, assim como as saudades, a dor literata, também é nossa…

Muito obrigado!

Fraternais Abraços!

Esteja com Deus!

P.S.: E o conteúdo do embrulho? Importa? O amor reverencial, como tão bem relatado por você, não pode ser confinado, mas espalha-se por todos!