
Ode às metáforas do amor.
Quero que me pergunte como estou. Sem medo do que vão pensar de nós. A vida é complicada e nós também. E essa ausência que eu sinto não é de mais ninguém.
Eu sei que você olha quando eu passo. Eu eu estou atenta a cada passo, mudo, dado ao lado, para o lado errado, mas tentando te encontrar. Na ânsia e no medo de te perder de vez.
Eu crio os meus motivos para te ver, eu tento achar a certa direção, eu tento controlar o meu querer. Eu tento entender seu coração. Talvez não tenha nada a dizer, mas eu quero as palavras que um abraço pode dar.
Nunca falamos nada, talvez nem vamos, mas é que as vezes não se precisa falar.
Os inúmeros diálogos que criamos, ou que só eu criei naquele toque e no olhar, retumbam na minha mente e eu quero palavras para sacramentar. Eu sinto com todo o corpo, mas os ouvidos, fazem de tudo o que parece ilusão real. Talvez tá aí o medo do encontro. Talvez é pra ficar sem um final.
Talvez seja pra ter só um início, lá no tempo distante do now. É que eu morro de véspera, assim mesmo. Eu prometi para mim não me iludir, não me retroalimentar de incertezas, não viver um amor que é só para mim.
Eu sou ser humano e eu quero dividir. Para além das linhas dos cadernos, dos diários, das conversas privadas. Eu quero dividir no corpo, em outros corpos.
Eu quero que o amor seja descrito em gesto e não palavra.
Segurar a sua mão na rua vai ser o meu verso, te abraçar a minha estrofe, te beijar o poema. E as palavras serão só apoio e transição para as metáforas do meu amor sensível, tátil, semiótico, simples que até criança vê que é normal, de igual.
foto por: Mariane Botelho, 14° Caminhada das Lésbicas e Bissexuais, Belo Horizonte — MG, 2018.
