Uma doença vestida de infâmia

Em uma avenida pouco movimentada o contraste de prédios comerciais ofusca totalmente a existência de casas germinadas do outro lado da rua. Com portas que dão para a calçada, todas com cores lavadas pelo tempo e pela chuva. A casa de azul lavado quase passa despercebida pelos meus olhos não é fosa o esforço para encontrar. A placa que indica a partir da porta e janela de ferro com vidros aramados a ambos os anos, indicava um logotipo escrito "AA: Alcoólicos Anônimos". Timidamente, entrei e chamei um dos membros que estava distante por um corredor sucinto da porta na calçada, não início do salão. Fui recibida calorosamente ao perguntar "O senhor conhece o Seu Sebastião"? Falei logo, sem hesitar, para indicar o propósito da minha visita. "Mas é claro! É nosso companheiro! Entre fique à vontade", Eu sei o que é mais importante, como um convite para entrar. O salão que, tanto quanto uma casa por fora, é de pouco destaque, segui a sua simplicidade por dentro. Não há janelas, em seu lugar como paredes forradas por lembretes, recados, cronogramas, revistas, livros, livretos e folhetos. Um verdadeiro arsenal com conteúdo da literatura do AA e textos explicativos sobre reuniões e convivência da irmandade. Logo à frente, sobre uma mesa de madeira com indicação da sala de funcionários como reuniões, dava continuidade ao material na parede. Livros e revistas todos equilibrados em pé com uma capa à vista. Não há janelas, em seu lugar como paredes forradas por lembretes, recados, cronogramas, revistas, livros, livretos e folhetos. Um verdadeiro arsenal com conteúdo da literatura do AA e textos explicativos sobre reuniões e convivência da irmandade. Logo à frente, sobre uma mesa de madeira com indicação da sala de funcionários como reuniões, dava continuidade ao material na parede. Livros e revistas todos equilibrados em pé com uma capa à vista. Não há janelas, em seu lugar como paredes forradas por lembretes, recados, cronogramas, revistas, livros, livretos e folhetos. Um verdadeiro arsenal com conteúdo da literatura do AA e textos explicativos sobre reuniões e convivência da irmandade. Logo à frente, sobre uma mesa de madeira com indicação da sala de funcionários como reuniões, dava continuidade ao material na parede. Livros e revistas todos equilibrados em pé com uma capa à vista. Sobre uma mesa de madeira com indicação da sala de funcionários como reuniões, dava continuidade ao material na parede. Livros e revistas todos equilibrados em pé com uma capa à vista. Não há janelas, em seu lugar como paredes forradas por lembretes, recados, cronogramas, revistas, livros, livretos e folhetos. Um verdadeiro arsenal com conteúdo da literatura do AA e textos explicativos sobre reuniões e convivência da irmandade. Logo à frente, sobre uma mesa de madeira com indicação da sala de funcionários como reuniões, dava continuidade ao material na parede. Livros e revistas todos equilibrados em pé com uma capa à vista. Sobre uma mesa de madeira com indicação da sala de funcionários como reuniões, dava continuidade ao material na parede. Livros e revistas todos equilibrados em pé com uma capa à vista. Não há janelas, em seu lugar como paredes forradas por lembretes, recados, cronogramas, revistas, livros, livretos e folhetos. Um verdadeiro arsenal com conteúdo da literatura do AA e textos explicativos sobre reuniões e convivência da irmandade. Logo à frente, sobre uma mesa de madeira com indicação da sala de funcionários como reuniões, dava continuidade ao material na parede. Livros e revistas todos equilibrados em pé com uma capa à vista. Cronogramas, revistas, livros, livretos e folhetos. Um verdadeiro arsenal com conteúdo da literatura do AA e textos explicativos sobre reuniões e convivência da irmandade. Logo à frente, sobre uma mesa de madeira com indicação da sala de funcionários como reuniões, dava continuidade ao material na parede. Livros e revistas todos equilibrados em pé com uma capa à vista. Cronogramas, revistas, livros, livretos e folhetos. Um verdadeiro arsenal com conteúdo da literatura do AA e textos explicativos sobre reuniões e convivência da irmandade. Logo à frente, sobre uma mesa de madeira com indicação da sala de funcionários como reuniões, dava continuidade ao material na parede. Livros e revistas todos equilibrados em pé com uma capa à vista.

Já acomodados em cadeiras de plástico postas nos cantos do salão, havia três homens reunidos. Um deles era Seu Sebastião. Um senhor sereno, vestia camisa xadrez de tons arroxeados, calça jeans e óculos de grau que pareciam ajustados para leitura. Sebastião presenciou o alcoolismo desde cedo. Trabalhou desde cedo. Começou a beber desde cedo. Aos 13 para 14 anos nunca havia bebido, mas buscava a pinga para o pai na vendinha da roça. Depois que o pai bebia, experimentava aquele restinho que ficava no fundo do copo. “Isso já era característica da pré-disposição para a doença”, conta Sebastião em tom explicativo. Sebastião sempre se diferenciou dos demais irmãos, o único que apresentava o que ele classifica de “comportamento de alcoólico, digamos assim”. O pai era alcoólatra e maltratava a ele, os seis irmãos e a mãe. As mágoas deixadas pelo pai de Seu Sebastião se acumularam e contribuíram para o primeiro gole. Ele tinha se tornado mentiroso e desonesto. Na época em que namorava aquela que viria a ser a sua esposa, mentia sobre a bebida, explicava a ela que bebia apenas socialmente. A bebida fazia mais do que parte da vida de Sebastião, tornou-se o móbil de suas ações e foi o que o levou ao altar. Casou-se bêbado. Vieram os filhos e continuou bebendo. Nos empregos em que trabalhou sempre bebia após o expediente. Com o avanço do alcoolismo bebia antes de ir trabalhar também. Então as dificuldades dentro do âmbito financeiro-familiar foram aparecendo. O salário era enxugado e o pouco que sobrava ia para o copo de bebida.

A esposa aguentou o casamento durante dez anos, mas desistiu depois que Sebastião perdeu o emprego. “Entrei em alta piedade: emprego não tenho, ninguém gosta de mim, me abandonaram e eu vou morrer bebendo mesmo”, conta Seu Sebastião quase em um lamento. Depois que a esposa o deixou, decidiu ir para a calçada com um papelão e uma garrafa pet para a pinga. Era julgado vagabundo por quem passava por ele. “As pessoas passavam e falavam: sem vergonha, largou a família para ficar aí jogado”, me conta Sebastião imitando a rispidez daqueles que o julgava. Viveu essa situação durante aproximadamente 8 meses e “tinha que beber para dormir naquele papelão e acordar para beber”.

O alcoolismo já é considerado, do ponto de vista da medicina, uma doença crônica e progressiva. “As coisas foram ficando difíceis e eu fui bebendo cada vez mais. Mas eu não tinha a informação, nem sabia que era uma doença”, revela o senhor que acreditou estar condicionado ao álcool a vida inteira por puro deleite. Seu Sebastião, assim como a maioria dos que têm pré-disposição ao alcoolismo desconhecem que sofrem de uma doença. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o alcoolismo é uma doença e quase 6% de todas as mortes em todo o mundo são decorrentes total ou parcialmente dos efeitos nocivos do álcool. A doença causa dependência, tira o poder de escolha do indivíduo de querer beber ou não. O consumo do álcool passa a ser inevitável. E foi o que a doença fez com Sebastião: passou a ser um indivíduo dependente; totalmente impotente perante o álcool.

Passava seu tempo deitado no papelão enquanto vivia na sarjeta. Em um dia, um homem agachou até ele e falou: “Sebastião, eu preciso da sua ajuda, eu tenho um serviço para fazer em casa”. Seu Sebastião estranhou. “Eu ajudar alguém? Que jeito”? Mas o homem o convenceu. Diferente das pessoas que passavam com olhar de infâmia sobre ele, um homem enxergou a doença e a necessidade em ajudar. O levou para sua casa, lhe deu banho e comida. Seu Sebastião mal sabia que aquele homem era um membro dos Alcoólicos Anônimos e o ajudaria a sair da vida de alcoólatra. Em nenhum momento o homem afável mencionou que iria levá-lo para umas das reuniões do AA, apenas dizia para Sebastião: “vamos fazer um serviço”.

Esperando o serviço ao qual seria designado, sem entender, Sebastião entrou em uma sala e um rapaz explicou o progresso do alcoolismo e como o programa o ajudaria a sair do vício com o auxílio de um banner e um gráfico sem nenhuma comprovação científica, apenas baseado em experiências dos companheiros do AA. Se sentiu surpreso com tanta hospitalidade. Naquela sala as pessoas o abraçavam e ninguém o chamava de “sem vergonha”. Depois que Seu Sebastião ouviu a explicação da doença e assistiu às reuniões, se conscientizou. “Eu tinha duas opções: continuar frequentando as reuniões e continuar vivo ou esperar alguns dias para deitar no caixão, porque morto eu já estava”. Seu Sebastião continuou participando das reuniões e cada vez mais queria se livrar do mal que era a bebida em sua vida.

Sebastião é alcoólico cruzado (dependente de álcool e drogas) em recuperação e sóbrio há 29 anos. A doença não tem cura, “ela está apenas estacionada”, como os membros dizem, e assim precisam se manter no programa para não cair no alcoolismo novamente. Um dos alicerces para ficarem longe da doença vem carregado de tom sugestivo: “evite o primeiro gole só hoje”. Os Alcoólicos Anônimos não têm competência profissional para afirmar se um indivíduo tem problema ou não com o alcoolismo, mas através das experiências de seus membros eles conscientizam as pessoas. Em cartazes, livros e folhetos estão registrados os trinta e seis princípios divididos em três listas: Os Doze Passos, As Doze Tradições e os Doze Conceitos. Eles seguem as sugestões dadas pelo programa do AA para se manterem sóbrios e se tornarem pessoas melhores.

Seu Sebastião conta, emocionado, quando descobriu que o alcoolismo era uma doença. Ele descreve como se houvesse tirado um peso das costas, pois se sentia condenado pela sociedade que o tachava de vagabundo e indecente. E diz com fervor “eu não sou nada disso, eu tenho uma doença”.

Hoje, depois de 29 anos de sobriedade, Sebastião faz parte do Pastoral de Matrimônio e do Batismo e vai a palestras contar sua história com o alcoolismo e como afetar sua vida com o intuito de conscientizar como pessoas da existência da doença e informá-las Que há formas de tratamento para a mesma. Para Sebastião, com uma recuperação ganhou crescimento pessoal e conta orgulhoso que se tornam um ser humano melhor. Ele continua com os projetos e com o anseio de divulgação sobre o assunto e a situação em que se vê um dia, o objetivo do programa é 'de graça e de graça dai' e Finalização com tom de enorme satisfação: o projeto do AA e para o resto da vida.