Preocupo-me.

Preocupo-me com as pequenas conversas que tomam grandes proporções. Preocupo-me com os pedaços de histórias ouvidas e mal interpretadas que vão ficando no caminho. Preocupo-me.

Preocupo-me com os que não falam diretamente a quem interessa. Preocupo-me, pois, ao não falar a tal, falasse aos outros e outros que nada tem com a história principal.

Preocupo-me.

Preocupo-me com as pitadas de pimenta colacadas em situações tão banais. Preocupo-me com a malícia das palavras, das opiniões e das intenções.

Preocupo-me com quem dá o relatório completo ( normalmente negativo) de alguém que o outro não conhece. Preocupo-me, pois, um conceito pré formado é difícil de ser desconstruído.

Preocupo-me com as mulheres que não se unem, e ao oposto, fazem questão de destruir vagarosamente e quase que inocentemente a imagem da outra.

Preocupo-me, pois, economizar empatia não é positivo. Preocupo-me pois falar a verdade tornou-se uma afronta ao ego do outro.

Mas acima de tudo, preocupo-me com a inversão de valores, onde os que prezam pelo silêncio e a observação são julgados como falsos, e os que falam incessantemente de mim, de ti, e dos outros, são feitos de amigos 1º porque é legal julgar, criticar e excluir e 2º porque já dizia o ditado “ quero morrer amigo de fulano.” Justificado pela angústia do outro fazer contigo o que faz com os outros. (Que ironia, não? )