Sento-me no único lugar vazio dentre todos os bancos do jardim do Arthur Ramos. Peço licença.

Um rapaz que está vendo pelo celular uma palestra do Padre Fábio de Melo, me olha e acena positivamente, ele está ao meu lado. Eu não consigo saber o tema da palestra, mas logo percebo que não estou aqui em vão.

O rapaz, como que entendendo rapidamente a minha empatia, logo comenta : “As pessoas não sabem ser gratas, moça. Você faz tudo por elas e elas na primeira oportunidade enjoam de você e agem como se você fosse insignificante.”

Agora foi minha fez de acenar positivamente, e o deixar continuar o breve desabafo.

“Sabe, eu fiz tudo por ela, pegava ônibus demorava um monte pra chegar lá, me dispunha, faltava trabalho, até chorei quando as coisas não davam certo pra ela, orei tanto, mas aí no meu primeiro vacilo, no primeiro momento que eu falei algo que estava me incomodando, parecia que eu era o pior homem do mundo, que eu era ruim..”

Um carro buzinou, ele, olhando pra mim, segurou minha mãe e disse “ muito obrigada por ter me ouvido moça, as vezes a gente só precisa de alguém que empreste os ouvidos para as nossas tristezas.”

Levantou, e foi.

Eu não soube seu nome, muito menos o da moça que o fez ficar abalado, também não sei o que eles eram ou o que ele queria que fossem. Também não sei o que ele fazia em um hospital às 19:00.

Mas também nunca entendo porque as pessoas não são gratas, e com isso, te entendo moço que eu não sei o nome.

A única coisa que eu consigo saber é que melhor que escutar o outro, é ouvir um obrigado verdadeiro, de alguém que agora faz parte do meu livro de história dos desconhecidos. (Que anda cada vez maior)

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