A cozinha é arte de reencontro

Domingo é um dia importante (para mim), tanto que já foi tema até de texto. No último dia santo recebi duas amigas aqui em casa e pude servir Moussaka e uma salada de manjericão e brócolis, e fiquei refletindo sobre como é bom colocar a mesa e servir o outro. Como é bom dividir a mesa vazia e partir o pão e conversar sobre a vida e saber como a outra pessoa está. Depois disso, comer rabanada do dia anterior e descobrir que na mesa, o pouco por vezes vira muito. Na oração, duas mãos unidas diante do café puro faz multiplicar os pratos e o amor.
A cozinha tem se tornado um lugar de reencontro, e por vezes esse encontro é comigo mesma, no final do dia… Pensar no que irei jantar e deixar o café da manhã um pouco antecipado caso eu venha a perder a hora, tirando aquele cochilo dos cinco minutos. Preparar as saladas e pensar nas combinações entre frutas e folhagens, folhagens e proteínas e onde poderia se encaixar uma semente para completar.
Cozinhar traz o ar de autonomia, pois agora a mesa é colocada por mim, e eu tenho prazer em fazer essas escolhas. Por um tempo pude me deparar com textos de uma amiga, em seu instagram, falando sobre as cores e como a cozinha a ensinou a ser melhor, a ser mulher. Hoje, eu tenho começado a sentir esse gosto, a ver o pimentão vermelho e ver como ele combina com uma abobrinha. Comer também é paladar e paladar começa no preparo, no cheiro e no falar.
O deleite de comer bem, de permitir ao doce, de não deixar o café faltar, pois sempre pode ser para dois. Todos os dias o reencontro acontece, quando me vejo cansada sou tapioca, quando estou corajosa sou brócolis sendo preparado em água quente e fria. Quando arriscar, uso o dendê que trouxeram-me da Bahia, quando preciso estar em pé, gengibre para mordiscar os lábios.
Pois quando a rotina tenta nos sucumbir, devemos identificar formas de nos reencontrar. A cozinha é arte do (meu) reencontro.
