Solidão da cidade
Em algum momento, vamos nos sentir sozinhos.
Comecei a escrever esse texto faz alguns dias (estou até atrasada na data de publicação aqui no medium), desde que retornei para mais um semestre, depois de viajar e rever n parentes, estar na casa dos pais, vó … Voltei para a atual moradia em Recife.
Aqui, eu não tenho parentes, a cidade não permite que eu encontre muito meus amigos que fiz aqui e ao mesmo tempo alguns laços são mais soltos do que bem amarrados. E isso nos lembra que viemos ao mundo sozinhos, e por dias estamos cansados quando essa solidão bate em nossa cara.
“Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortalE assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal?Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais, de mais” (Lenine)
Quando chegar da igreja no domingo e perceber que o almoço é só para uma pessoa. São essas pequenas situações que sussurram como a busca por nossos objetivos, por momentos serão trilhados por nós, somente. E é um caminho árduo, duro, água em pedra dura que tem dias que parece não furar. E nunca vamos conseguir imaginar ou nos programar para todas as dificuldades que vamos passar, a vida tem dessas coisas: surpreender (seja de forma positiva, ou negativa).
São nesses momentos que percebemos que estamos crescendo e construindo a nós mesmos em nossas trajetórias e vidas.

A sutileza do aprendizado
Ainda terei conforme as coisas caminham, 2,5– 3 anos morando em Recife. Isso me assusta e por vezes me incita a ter coragem e não desistir, não parar. “A parte mais difícil, já passou” geralmente é o que dizemos e pensamos. Ser o ator principal da construção da nossa vida é um desafio constante, um aprendizado que nem sempre percebemos que estamos aprendendo. Enxergamos o sofrimento e não queremos passar por ele, queríamos ter ciência de todas as nuances da vida sem ter que passar por momentos difíceis.
A solidão nos ensina muito, ensina sobre valorizar o mais simples e as pessoas verdadeiras. Ensina a perceber quem realmente está conosco na caminhada (seja perto, seja distante), que podemos ser a melhor companhia para um cinema cult do fim de tarde. Ensina que podemos transformar a solidão ocasional em momentos intencionais de reflexão.
