04.08 — Born This Way Day

Hoje cheguei no trabalho e coloquei minha mochila no chão como todos os dias, abri meu pacote de bolacha e minha conta de e-mail profissional, logo em seguida abri o Spotify e fui a escolha do que ouvir. Driblei minha própria playlist chamada “Mind Blowing” que é algo cheio de indie rock e um pop alternativo, sei lá se isso existe, e pensei algum tempo sobre o que ouvir já que não funciono sem música, não adianta. Entre uma indicação e outra acabei sentindo que hoje era o dia de algo bom acontecer, que hoje ia ser um dia de retribuição do universo por algo de bom que eu tenha feito, hoje era dia de ouvir Lady Gaga.

Não parece o tipo de música que você vai me ouvir cantarolando por ai se me ver pela rua mas eu sou uma grande entusiasta de música pop, completamente influenciada por “Girls Just Wanna Have Fun” que ouvia junto com a minha mãe. Posso dizer que de todos os estilos musicais que existem na miscelânea do meu Last.Fm o pop é soberano, ele tá em todos os top 10 musicais da minha vida.

Mas hoje era o dia para ouvir Lady Gaga em especifico, para assistir “Marry The Night” e me peguei pensando sobre ela, sobre os primeiros clipes que vi e a primeira vez que “Just Dance” tocou em alguma rádio fm a minha volta. Só consegui pensar o que a mim causava tanta admiração em Stefani Joanne Angelina Germanotta, o que nela entre tantas cantoras de pop sobressaia que me fazia ter dezenas de capas de revistas com ela estampada, todos os CDs na casa da minha mãe, treze horas na fila do show e mais de quatrocentos reais em um ingresso de pista Premium para vê-la mais de perto e não pude contextualizar em uma palavra esse tal sentimento ou essa característica sobressalente nela que me fez fazer todas essas coisas e muito menos sentir que um dia bom é um dia de ouvir Lady Gaga.

Eu só consegui pensar no dia em que chorei copiosamente por quase uma hora durante seu show em um 11 de novembro inexplicável, no dia em que quando ela cantou “Hair” sobre um palco com mais de 50 mil pessoas na platéia pareceu que meus joelhos iam ceder, que todo um universo estava colidindo e eu ali ia ser completamente esmagada por um misto de emoções, que as treze horas na fila eu conheci pessoas que tinham vindo de todas as partes do país, pessoas que estavam com as roupas mais bizarras, com pouca roupa, com o coração na garganta, com a emoção a flor da pele, com um nó na garganta. Não dá pra sintetizar como aquele 11 de novembro, enquanto eu chorava e gritava “ I’ve had enough. This is my prayer. That I’ll die living just as free as my hair”, foi um primeiro passo para eu me amar, para eu me respeitar, para eu me sentir bem comigo mesma.

Hoje o álbum escolhido para eu ouvir foi Born This Way e talvez por isso eu esteja tão sentimental, é sempre forte e sempre intenso ouvir os álbuns de Lady Gaga conhecendo sua história, sua trajetória, sua força e simplesmente sua existência, porque ela fala de sonhos, os meus sonhos, ela poderia ser eu ou qualquer pessoa que conheço. 2016 é um ano em que toda a expectativa está voltada para seu novo álbum novo mas por tudo que Gaga já fez eu sou grata por ela existir e por se permitir ser estranha e assim fazer com que eu me sentisse feliz em ser eu mesma.