Desconexa

Foi dando o braço a torcer
que abri mãos
da parte mais importante de mim.
E agora que já não consigo
recuperar o que dei de mãos beijadas;
cada novo beijo não cura as cicatrizes
do que deveria ter sido fechado a pontos.
Não dá mais para curvar;
o que antes era suave de se sentir
mas hoje fossilificou
e quase como anticorpos
repele cada toque
e corpo alheio que tenta se aproximar.
Foi dando o braço a torcer
que me restou apenas o outro braço-escudo
e faz de mim meu próprio anticorpo
que não me reconhece mais
o que antes era corpo meu
e me faz querer repelir eu e qualquer outro corpo estranho,
inclusive o seu.
Foi dando o braço a torcer
que a minha essência se esvaiu
por meio das brechas
e se repartiu de formas desconexas,
agora não consigo mais me interligar.
Me perdi nas linhas de mim
e por entre as veias
corro um labirinto
que não dá em lugar algum
já que a emoção não me serve mais de parada obrigatória.
Será?
Já não sei se a razão
é o ponto final
no qual quero desembarcar.
Nem sei se nessas condições
posso eu me atrever
a me autointitular
um ser ideal de condução
do meu próprio eu.
