Filme La La Land — Cantando estações (2016)

Valendo o ingresso e as horas cantarolando as músicas do longa

Musicais são aqueles filmes que ou você ama ou odeia. Interromper determinada cena com alguma canção pode incomodar algumas pessoas, que odeiam até os clássicos. La La Land tem o trunfo de não ser datado, mas sim inspirado nos filmes musicais clássicos, sendo contemporâneo.

O que esperar?

A trama se passa em Los Angeles, com todo glamour de Hollywood e sonhos como motor das ações dos protagonistas durante as quatro estações. Mia (Emma Stone) é uma jovem aspirante a atriz que trabalha em um café dentro de um estúdio de cinema, apesar de fazer vários testes Mia tem dificuldades de conseguir algum papel. Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz que tem o sonho de montar um bar que toque o ritmo que ama, porém tem dificuldade de manter um emprego fixo para custear o sonho. Enfim, eles tem um sonho, mas realizá-lo — como sempre e na vida real — não é fácil.

Emma Stone e Ryan Gosling em cena contagiante de dança, afinal quem nunca deixou seus sapatos de sapateado na bolsa para momentos como esse? (foto: Divulgação)

Com uma proposta que traz uma fácil identificação com o público (afinal quem não tem um sonho?), o filme em tons alegres e canções boas conta a história do casal, que juntos se apoiam para alcançar o que tanto desejam. O musical traz as cenas tradicionais de dança, com as músicas fazendo parte da narrativa dando a sensação de sequência e não de “vamos parar tudo e cantar algo aleatório”. Observação: com uma cena inicial maravilhosa.

Com trilha original encantadora, o diretor Damien Chazelle acerta novamente depois do sucesso Whiplash — Em Busca da Perfeição (2014), com uma direção diferenciada que conversa com o mundo de hoje. Os filmes de Chazelle são, acima de tudo, atuais. Aliás, Whiplash foi feito para mostrar que La La Land poderia ser produzido, o musical veio antes na mente de Chazelle.

O filme traz referências, como Juventude Transviada (1955) com James Dean e Natalie Wood. O planetário que aparece em La la land é o local de uma cena importante do filme dos rebeldes sem causa (título original), contudo com finais bem diferentes. A pequena presença de J.K. Simmons traz o sucesso anterior do diretor, Whiplash, à tona. Outras referências são de diversos filmes musicais, confirmando que o diretor se inspirou mesmo nos clássicos.

Vale lembrar que o filme é muito cotado para o Oscar, principalmente depois de vencer em todas as categorias que disputou no Globo de Ouro (Melhor filme de Musical ou Comédia; Melhor Ator e Atriz na mesma categoria; Melhor Diretor; Melhor Trilha Sonora, Melhor Música Original com “City of Stars” e Melhor roteiro). Mia é interpretado com carisma por Emma Stone, que coloca todas as cartas na mesa, e Ryan Gosling traz a palavra do jazz com muita competência. Ambos, segundo o diretor, foram escolhidos não por seus dotes vocais ou musicais — Gosling aprendeu piano para o papel — mas sim porque representavam qualquer pessoa, que podemos conhecer ou não, que tem um sonho.

Mas… Vale a pena?

A sensação é tão boa quando se sai do cinema que o espectador mergulha no universo do filme com facilidade. Os amantes de musicais não irão se arrepender de pagar o ingresso. Para aqueles que não são entusiastas do gênero, vale a pena correr o risco e, no mínimo, sair cantarolando as músicas do filme. Como disse a atriz Emma Stone no Globo de Ouro o filme é para sonhadores.

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