Há 10 meses me mudei para Irlanda…

A minha experiência de como foi deixar o Brasil pra tentar o novo.

Havia algum tempo que eu estava com aquela sensação de insatisfação constante. Não sabia exatamente o causador, mas sabia que não estava feliz. Sentia que precisava continuar crescendo, evoluindo e, na posição em que eu estava, isto não acontecia (ou pelo menos muito pouco). Há mais de 4 anos trabalhando na mesma empresa eu percebi que a minha zona de conforto tinha crescido bastante e se eu quisesse mais teria que sair dela. Após alguns dias de reflexão decidi que gostaria de ter a experiência de morar fora. O país que escolhi: Irlanda.

Uma das primeira fotos que tirei em Dublin

Irlanda? Mas por quê?

Em 2012 uma grande amiga decidiu morar fora e o país escolhido foi a Irlanda. Após 2 anos ela decidiu voltar. Suas histórias simplesmente me encantavam. E o melhor de tudo é que ela trouxe algo real. Sempre ouvi milhares de histórias de pessoas que conheciam pessoas que moravam fora, mas essa era diferente. Essa tinha acontecido do meu lado, com uma pessoa próxima a mim. Apesar de saber antes que não era impossível de fazer, eu tive a confirmação que precisava. Num grupo de pessoas nem sempre somos corajosos o bastante pra fazer algo inédito, pioneiro. As vezes precisamos que alguém desbrave o caminho e volte pra contar que é possível fazer. E foi exatamente este o sentimento que tive. A coragem que precisava retirei da história de uma outra pessoa.

O terceiro, mas não menos importante motivo, foi o fato de a Irlanda ser atualmente o Vale do Silício da Europa. Isso mesmo. Inúmeras das maiores empresas de tecnologia do mundo (amazon, facebook, twitter, linkedin, dropbox, e por aí vai) e muitas outras não tão grandes, tem escolhido a Irlanda como destino na Europa. Isto se deve muito ao fato do governo irlandês, após a crise de 2008, ter facilitado a entrada de tais empresas visando impulsionar uma economia que sofria uma recessão. A aposta foi assertiva e o resultado positivo. O fato da Irlanda ser um país forte economicamente se deve também a este investimento. Enfim, quando li um pouco mais e descobri sobre esse fato, meus olhos brilharam, afinal minha graduação é na area e sou apaixonado pela profissão que escolhi.

Juntando todas essas peças, estava mais do que certo o destino na minha cabeça: a capital Dublin.

Hora de pedir demissão

Nunca achei fácil qualquer tipo de confronto com chefes. Existem pessoas que sabem lidar (ou parecem saber) muito bem com tais situações, usando palavras certas e não expressando qualquer nervosismo. Eu não! Me lembro de uma situação no último ano de faculdade em que decidi sair de um estágio que fazia. Demorei 2 semanas pra ter coragem de chegar no meu chefe e dizer que queria sair. Vai entender…

Enfim, 2 meses antes da data marcada para a viagem pedi demissão. Consegui seguir exatamente o que tinha planejado e fiquei um mês a mais na empresa após a demissão e, um mês de férias, o que foi bom para organizar tudo e passar um tempo com a família antes de deixar o Brasil.

O processo de visto

Eu fui pra Irlanda com o visto de estudante de inglês e é sobre este que vou comentar. É sem dúvida o mais comum entre os brasileiros. Os passos que segui foram: Me matriculei em um curso de inglês de 6 meses de duração (o que me garantiu residir na Irlanda por 8 meses), comprei o seguro de saúde governamental, passagens de ida e volta, residência por duas semanas e imprimi um extrato bancário comprovando que eu tinha o montante de €3000 (Sim, é preciso comprovar que você tem esse dinheiro).

Diferente de outros países eu não precisei tirar o visto de estudante antes de ir pra lá. Você entra na Irlanda com o visto de turista, o que geralmente te garante 3 meses, sendo este tempo para você aplicar para o visto de permanência. Durante este tempo é necessário encontrar uma residência física, pois vai ser necessário a comprovação de endereço quando for aplicar para o visto.

Munido de toda essa documentação e do seu passaporte você agenda um horário na imigração, chega com 10 minutos de antecedência e paga uma taxa de €300. Aconselho você a agendar sua ida à imigração quando ainda estiver no Brasil. A fila está grande e é provável que você só consiga uma data com dois meses de espera. Você então recebe um carimbo no passaporte e um certificado de registro, conhecido como GNIB.

Image from https://www.icosirl.ie/eng/student_information/immigration_and_visas.html

A chegada na Irlanda

Acabei tendo uma infelicidade na chegada: minha mala foi extraviada. Não foi lá um grande problema porque eu tinha algumas roupas na minha mala de mão, além do mais, demorou apenas 3 dias pra que recuperassem minha mala. Por isso acho importante um seguro de viagem privado. Além de te dar garantia contra este tipo de incidente, te garante também caso precise de consultas médicas ou odontológicas.

A primeira vista eu fiquei super impressionado com tudo. Dublin é uma cidade com poucos prédios, tem uma arquitetura antiga e peculiar, muitas áreas verdes e um centro da cidade super movimentado. Outro fato curioso, é que Dublin é uma cidade super cosmopolita. Uma volta no centro e você vai ouvir pessoas falando em inúmeras línguas. Outro fator de estranheza no começo é o trânsito, o qual tem a mão contrária. É super estranho entrar em um carro do lado esquerdo e não ter um volante lá. Dirigir então!? Mas nada que o tempo e alguns quase atropelamentos o faça acostumar. =)

Procurando acomodação

Mas enfim, acabei achando uma casa bem bacana, não muito longe do centro a qual dividi com pessoas incríveis e de vários lugares do mundo. Nos 6 meses que vivi em Dublin morei com uma alemã, um casal italiano, gregos, um argentino e claro, brasileiros. Todos eles pessoas fantásticas que contribuíram bastante pra que eu evoluísse um pouquinho mais.

Um argentino, dois gregos e três brasileiros. ❤

Trabalho

Quando me mudei pra Dublin eu ainda não sentia muita confiança no meu inglês, portanto não procurei por trabalho. Queria esperar pelo menos uns 3 meses até sentir que conseguiria participar de uma entrevista de emprego sem embaraços. Este é outro ponto importante. Se você não fala nada de inglês vai ser muito mais difícil conseguir algo. Acabou que consegui trabalho após 1 mês e meio na Irlanda. Uma empresa entrou em contato comigo pelo Linkedin e me convidou para uma entrevista (importante atualizar seu perfil). Confesso que quando estava indo pra entrevista senti um frio na barriga e inclusive, pensei em desmarcar. Foi minha primeira entrevista em inglês. Mas deu certo! Me enviaram um teste técnico e passado alguns dias me ligaram dizendo que fui aprovado. Durante a minha troca de email com recrutador, deixei claro que meu visto era de estudante e que não poderia trabalhar mais de 20h. Iniciei na empresa trabalhando apenas na parte da manhã, até que meu curso terminasse. Após o término do curso demos entrada no processo de visto de trabalho, o chamado Stamp 1.

Deixando a Irlanda

A Irlanda é um país incrível que me permitiu conhecer e vivenciar experiências que nunca pensei passar por. O irlandês é extremamente simpático e receptivo. Não a toa tantos brasileiros vão pra lá. Sempre que me perguntam sobre a experiência de um intercâmbio eu tento colocar os pontos positivos e negativos, mas no final sempre apoio e recomendo uma decisão assim. Morar fora do Brasil me permitiu crescer diante adversidades que eu não teria se continuasse no meu país.

Antes de me mudar me disseram assim: "Se você não fizer nunca vai saber". Hoje digo o mesmo para as pessoas. A vida é feita de escolhas. Você vai ter que abdicar de algo para ter outro. E a verdade é que não há como conhecer realmente uma estrada se você não a trilhar.

Um abraço.

I believe we can do the world a better place. And I believe truly on the power of the words. I'm a voracious reader and also a computer scientist.

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