O trabalho voluntário está mudando o Brasil

E só você ainda não viu

Lembro que tinha exatos 6 anos quando minha mãe me levou pela primeira vez naquele lugar. Apesar de morar em uma cidade pequena, era bem longe da minha casa. Conforme chegávamos perto, a rua ficava sem asfalto, o cheiro diferente e as casas cada vez menores e mais simples. Não era algo com o qual eu me preocupava, muito pelo fato de não entender bem o que ia fazer ali. Quando o carro parava já era possível ver várias pessoas reunidas em frente a uma casa simples, bem embaixo de um 'pé de alguma coisa' — uma dessas árvores de sombra grande. Haviam crianças, jovens e adultos, principalmente mulheres que se separavam em grupos de acordo com suas idades. A música dava início às atividades. E assim começava mais uma das minhas manhãs de sábado.

Lá aprendíamos sobre dividir as nossas coisas, compartilhar nosso tempo com quem precisasse e oferecer sem pedir nada em troca. Tínhamos aula sobre família, problemas sociais, vícios e a importância de se preservar a natureza. Apresentávamos teatros que tratavam do cotidiano e cantávamos músicas sobre a alegria de viver. Líamos sobre o erro chamado aborto. Nos falavam sempre que todas as pessoas tinham problemas, mas que estes passam. Aprendemos a não desistir frente quaisquer que fossem as dificuldades. E tudo isso ministrado com fantoches, livros coloridos e evangelizadores que não recebiam um centavo por estarem lá.

Me recordo bem de que a maioria das atividades eram secundárias para grande parte das crianças que eu convivia. A hora da sopa era sim o melhor momento. Quando tinha pão então! Esse era o chamativo maior, a comida. Mas também, quem consegue estudar, brincar, cantar, pular ou prestar atenção em uma aula com a barriga roncando!?

Posto de Assistência Auta de Souza — Cuiabá/MT

Aos poucos um espaço que era mais do que suficiente foi se tornando pequeno. Simplesmente ficar ao ar livre não era uma boa opção. Estávamos sujeitos à chuva e sol forte, além do que a cozinha emprestada que usavam para preparar os alimentos era bem pequena. Foi aí que a ajuda chegou. Vinha de todas as partes, seja através de doações — terreno pra construir um novo espaço, cimento, tijolos — ou de trabalho braçal. E assim ergueu-se um novo ambiente. Ainda bem pequeno, simples e faltante de muitos ajustes, mas ao mesmo tempo acolhedor, agradável e seguro. Agora tinha uma cozinha maior e três salas, ocupadas pelos assistidos do local.

O trabalho então começou a ganhar novos voluntários que ajudavam das mais diversas maneiras. Tinha os que sabiam cozinhar, os que sabiam lidar com crianças, os que sabiam realizar trabalhos artesanais e também os que sabiam tocar algum instrumento. Cada um no seu lugar, como uma máquina com suas várias engrenagens. Todos tinham sua importância no trabalho e sempre que alguém faltava, tinha sua ausência notada.

Com o aumento dos assistidos e de todo o trabalho em si, o grupo viu que não podia depender apenas de doações, sendo que estas podiam faltar a qualquer instante. Daí nasceu o trabalho de "Pizza Fraterna". Era uma espécie de assinatura mensal de pizza. Os trabalhadores vendiam as assinaturas para familiares e amigos e, se reuniam uma vez por mês — num dia combinado — para a confecção e entrega das pizzas. Era uma maneira de se sustentar ao melhor estilo bootstrap, podendo assim ajudar mais ainda a comunidade em volta.

Posto de Assistência Jorge Faim Filho — Catalão/GO

E por falar em comunidade, a mudança no bairro era notória. Com o passar do tempo o trabalho foi ficando cada vez mais sofisticado e completo. As mães passavam a manhã estudando temas do cotidiano e realizavam diversos trabalhos artesanais, além de cursos, tais como corte e costura. Os jovens dividiam seu tempo em atividades de lazer, estudo e trabalhos assistenciais. E as crianças ocupavam-se com as mais diversas atividades engrandecedoras. Eram mais de 40 famílias atendidas na região. Até mesmo as famílias que não participavam presencialmente eram atendidas através da distribuição de alimentos e roupas. Conseguem imaginar o impacto que tais atividades têm na vida de certas pessoas!? Ouvia casos e mais casos de auxílios não só materiais, mas também, de como as ocupações oferecidas e as experiências vividas naquele ambiente, fizeram com que pessoas tomassem atitudes assertivas diante os vários problemas que enfrentavam. Outros beneficiados eram os incríveis voluntários. Todo semana era uma nova lição de coragem, força de vontade e muita humildade. Ajudar voluntariamente é sem dúvida um tratamento não só para o corpo, mas também pra alma. Acreditar em um projeto, vê-lo em prática e ainda crescendo cada dia mais, sabendo que você fez parte daquilo e que deu sua contribuição voluntariamente, é ter a consciência tranquila de que tem feito o seu papel na contribuição para uma sociedade melhor.

Hoje o trabalho continua, ainda maior que antes. São mais trabalhadores e mais beneficiados. O quão interessante seria se pudéssemos colocar lado a lado a imagem de toda aquela região antes das obras assistenciais e após elas. Daria pra ver claramente a diferença, e claro, pra melhor!

E então a pergunta:

Que tal participar da construção de um Brasil melhor?

O trabalho voluntário tem ajudado milhares de pessoas em todos os cantos do país a se desenvolverem e terem uma vida mais digna, com mais esperança no futuro. Muitas pessoas têm doado um pouco do seu tempo para contribuir com a evolução de quem não teve as mesmas oportunidades. Que bom seria se mais pessoas aderissem a este movimento e ajudasse quem precisa.

Uma coisa é certa: Nunca houve melhor momento para se tornar um voluntário do que agora! O Brasil precisa de você!

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