Porto

Acordo com tuas mãos entrelaçadas nas minhas e a cabeça roçando em meu pescoço. Teu travesseiro repleto por meus cabelos acobreados e tua pele, quente, encostando na minha. Daríamos uma bela fotografia, penso. E sorrio, sabendo que nosso amor não é arte. Não é gráfico. Talvez poético, mas não plástico.

É real. Tão real quanto a barba, agora fazendo cosquinha em meus ombros e o cheiro da pele se impregnando na minha. Em um abraço quase desacordado, me aninho em ti. Teus braços me acolhem, nossos olhares se encontram. Sorrimos. Nariz com nariz. Boca com boca. Te beijo. Me beija.

Como um navio buscando a um porto, eu busco a ti. Amo por inteiro todos os teus pedaços. Os olhos se fecham devagar. Adormeço novamente com a certeza de acordar na segurança de teu cais.