OSCAR 2017 | Comentários e apostas

Cansado de todo ano assistir a cerimônia do Oscar sem poder opinar nada por não ter visto os filmes, decidi o que seria meu primeiro projeto pessoal de 2017: conferir as produções indicadas na categoria principal e compartilhar minha opinião!

A ideia acabou crescendo conforme me empolguei e fui vendo os indicados em outras categorias (Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante). O que antes deveria ser um post no Facebook encaixou-se no molde dos textos pensados aqui para o Medium — outro projeto pessoal! — e, por fim, providenciei algumas ilustrações relacionadas, as quais vocês verão mais abaixo.

Espero ajudar quem está perdido, não sabe bem o que ver e também contextualizar quem pretende assistir a premiação neste domingo (26). Últimos lembretes antes de começar: meus comentários, feitos de espectador para espectador, revelam exclusivamente a minha visão sobre as produções citadas; não busque comentários estritamente técnicos ou uma verdade absoluta aqui. Avisos dados, começarei listando (do que eu menos gostei ao que eu mais gostei) os nove filmes indicados na principal categoria o/

Melhor Filme:

9º Até o Último Homem

Dirigido pelo polêmico Mel Gibson, Até o Último Homem (Hacksaw Ridge) é o único da lista que eu realmente não gostaria de ver levando a estatueta. Explico: o longa metragem segue a real história de um médico do exército americano durante a Segunda Guerra Mundial. Interpretado por Andrew Garfield, o protagonista se recusa a pegar em armas e acredita que pode servir a nação à sua própria maneira, sem ferir suas crenças.

Não é exatamente uma história original ou revolucionária, mas ainda assim é uma boa história. Daquelas que, se adaptadas bem para o cinema, se sustentam por si só. Infelizmente, não é o caso. A impressão final é a de que o diretor se auto sabotou ao criar um filme excêntrico em cada detalhe. Desde o sentimentalismo que força a comoção do público repetidas vezes até as longas e brutais sequências de guerra, a produção implora para ser memorável, sem receio de colocar o roteiro em segundo plano. A expressão “menos é mais” faz muito, muito sentido aqui.

8º A Qualquer Custo

Agora a conversa muda um pouco… A Qualquer Custo (Hell or High Water) acompanha dois irmãos que rodam o oeste americano roubando bancos para se reerguerem financeiramente. Mais tarde, eles são perseguidos por uma dupla não intencionalmente cômica de agentes da lei e o resto resume-se a uma interessante dinâmica entre policiais e ladrões.

O diretor, David Mackenzie, soube trabalhar com pé no chão o roteiro, bem ciente de seus limites e do público almejado. Definido por muitos como um “faroeste moderno”, o filme explora muito bem as características do gênero sem se prender a fórmulas ou almejar ir além. Já a narrativa constrói de forma convincente os personagens e até arrisca-se a tocar em questões sociais (e históricas!) não tão discutidas, conduzindo o espectador a um final satisfatório. Vale a pena conferir principalmente se você já gosta do tom e do ritmo típico do gênero.

7º Um Limite Entre Nós

Estrelado por Viola Davis e Denzel Washington, quem inclusive também ocupa o papel de diretor, a obra é a primeira adaptação da lista e uma dentre as duas baseadas em peças de teatro. Um Limite Entre Nós (Fences) trata com intensidade a questão da discriminação racial nos EUA, colocando num páreo pai e filho, passado e presente, frustrações e sonhos.

Nos primeiros minutos já é possível identificar os principais pilares: a atuação afiadíssima do elenco e o forte roteiro. Denzel Washington sustenta cenas difíceis de longos diálogos de forma surpreendente, trazendo o texto para si mesmo, sentindo cada palavra que pronuncia. Entregando cada minuciosidade que seu personagem exige, indo de um extremo a outro em segundos. Obviamente, Viola Davis não fica atrás.

O roteiro se mantém com os dois pés na realidade, recorrendo muito ao subtexto para dizer o que pretende. Um Limite Entre Nós é um longa que definitivamente tem muito a dizer. Por mais que os dois pilares o suportem com facilidade, ainda assim o falta algo. Algo que o torne mais filme e menos teatro filmado. Incomoda o tanto de vezes que Denzel recorre a diálogos para explicar o que, na verdade, se podia (e deveria) mostrar. Em momentos pontuais, isso me tirou da história. Mais do que merece ser visto, ainda assim!

6º Manchester À Beira-Mar

Quando seu irmão falece, o protagonista vivido por Casey Affleck é puxado de volta para o mundo que deixou pra trás, e de quebra, descobre estar encarregado de cuidar de seu sobrinho adolescente.

Talvez o mais singular dentro da lista, Manchester à Beira-Mar (Manchester By The Sea) é um filme que fala sobre o peso da responsabilidade e subverte as comuns representações do luto através de uma direção modesta, atuações incrivelmente críveis e um estranhíssimo senso de humor camuflado. Sinto que a partir do momento em que foi decidido contar a história de um personagem tão introspectivo como o que temos aqui, a equipe criativa adentrou por um caminho rumo a várias outras decisões corajosas; estas, também bem executadas. O roteiro não chama tanto a atenção, na verdade, é a abordagem nova que faz do longa a obra brilhante que ela é. Sem esquecer, é claro, da atuação precisa de Casey Affleck.

Apesar de ter alcançado lugar mais alto na minha lista, é mais fácil indicar os dois anteriores do que este. Definitivamente um filme fora da caixinha, pode não funcionar para quem espera ver um drama convencional.

5º Estrelas Além do Tempo

A obra conta a história real de três mulheres negras que trabalharam na NASA durante o auge da Guerra Fria, sendo fundamentais na corrida espacial, porém, que nunca tiveram seus nomes citados em livros de História. Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) foi concebido para reverter esse panorama e apresentar tais figuras para o grande público, junto da intrínseca problemática machista e racista; felizmente, o diretor Theodore Melfi soube como fazer isso.

Para tal, Theodore optou por uma abordagem com doses de humor, automaticamente mais acessível, sem em nenhum momento simplificar as questões sociais tratadas. O acréscimo das cativantes Octavia Spencer e Janelle Monáe apenas reforça o caráter cômico desejado. O drama fica mesmo para o núcleo de Taraji P. Henson e Kevin Costner, cada qual trabalhando no que faz de melhor.

O saldo é uma produção emocionante, agradável de assistir, com um bom desenvolvimento de personagens e morna justiça histórica. Alguns pontos altos aqui e ali. No geral, bem consciente do que precisa ser para chegar ao público que pretende chegar. Altamente recomendável!

4º La La Land: Cantando Estações

Um tempinho atrás, La La Land ganhou uma crítica aqui e você pode conferir minha opinião sobre o mais provável vencedor da categoria com detalhes!

Taí, o garotinho de Lion me cativou tanto que me deu vontade de aquarelá-lo. O modo como Sunny Pawar atua com olhos, sem dizer muita coisa, é incrível e um dom que só as crianças têm. Pensando nisso, incorporei o estilo das pinturas de Margaret Keane e deixei propositalmente os olhos bem grandes.

3º Lion — Uma Jornada Para Casa

Chegamos ao top 3 e agora é hora de falar do filme que já me ganhou nos primeiros minutos. O belíssimo projeto dirigido por Garth Davis é baseado na vida de Saroo, um indiano que aos cinco anos de idade se perdeu de sua família e viveu experiências traumáticas tentando voltar para casa. Mais tarde, acabou sendo adotado por uma família australiana. Qualquer coisa a mais que eu disser sobre o trama pode comprometer a tocante experiência de assisti-lo cru.

Garth Davis acertou a mão na direção, achando o tratamento perfeito para contar uma história que isoladamente já é carregada e triste. Não há trilha exagerada ou outras técnicas que induzam o espectador a se comover. Tudo é muito simples, focado em Sunny Pawar, o garotinho que interpreta Saroo na primeira hora e, além do mais, não fica nem um pouco atrás de Jacob Tremblay, famoso por O Quarto de Jack. Quando Nicole Kidman entra em cena, o nível da produção consegue melhorar e eu tive a certeza de que o filme é extremamente cuidadoso com os temas abordados. Há uma bela mensagem sobre a adoção e o que nossas origens, nossa bagagem desde bem cedo, revela sobre nós.

O único ponto negativo que posso apontar diz respeito ao salto temporal. Após ele, o texto patina um pouco e Dev Patel demora a chegar no ponto certo, mas felizmente o faz a tempo da conclusão. Apenas uma quebra de ritmo que em muito pouco conta no resultado final.

Vale lembrar que a produção vem acompanhada da campanha #LionHeart, uma iniciativa para ajudar crianças indianas e chamar a atenção do mundo para os altos índices de desaparecimento infantil por ano no país. Caso vencesse, Lion levaria uma bandeira ao palco, indo contra o pensamento de olhar apenas para si próprio, para os problemas de sua própria nação, o qual sabemos que ganha força atualmente nos Estados Unidos.

2º Moonlight: Sob a Luz do Luar

Meu segundo filme favorito dentre os indicados, mas certamente o mais artístico. Baseado em uma peça de teatro, Moonlight traz a trajetória de um jovem negro e gay, o protagonista interpretado por três atores diferentes em três fases de sua vida. Esses atores, dirigidos com maestria, entregam atuações que acrescentam inúmeras nuances ao “eu” de Black, enquanto sua identidade vai se formando no decorrer da narrativa.

Com uma sutileza de dar inveja, a direção te coloca na pele do garoto no início, quando também são estabelecidas relações interpessoais importantíssimas para a construção da narrativa poética. Destaque absoluto para Mahershala Ali e sua sensível cena com o garoto no mar.

Por mais que os diálogos sejam fortes e poderosos, Moonlight não se auto explica, exigindo assim comprometimento de quem assiste. O subtexto é rico e te põe a pensar sobre várias questões de enorme relevância. Tudo isso sem precisar nivelar o tom, adicionar humor ou vender para as pessoas um filme diferente do que ele realmente é. A genial obra de Barry Jenkins merece ser vista e apreciada. Assim como Lion, traria a cerimônia do Oscar uma mensagem muito bacana.

Voltando aos tempos da pré-escola Hahahah! A ideia aqui era fazer uma line art para mais tarde virar uma arte digital, mas o desenho não me agradou muito. Soooo, com lápis e canetinhas tentei reformá-lo, saiu isso.

1º A Chegada

Finalmente! Meu favorito ao prêmio de Melhor Filme não poderia ser outro senão este filmão de ficção cientifica que Denis Villeneuve nos deu de presente no último ano, os motivos não faltam para isso.

Como o título já sugere, A Chegada (Arrival) acompanha os estágios iniciais da interação dos humanos com alienígenas que pousaram suas naves em lugares aleatórios da Terra. Trazendo desde o baque que foi a notícia para o mundo até o sentimento de “precisamos fazer algo a respeito”; e é aí que o roteiro baseado no conto História da Sua Vida de Ted Chiang engata.

Louise Banks, uma experiente linguista, é convocada pelo governo para tentar se comunicar com os alienígenas e entender “porque eles estão aqui”. A trama estrelada por uma Amy Adams em seu melhor vai ganhando contornos cada vez mais surpreendentes. Um desenvolvimento que não me permitiu desviar a atenção por um minuto sequer. Apesar de ainda não ter lido o conto que inspirou a obra, fiquei sabendo por um artigo na internet quais alterações foram feitas para o cinema e todas me parecem bem sólidas.

Villeneuve criou para o obra uma atmosfera tensa com elementos de suspense e terror. Todavia, ele acertou principalmente no modo como harmoniza temáticas às vezes tão primordiais, até mesmo batidas, do ser humano a um contexto fantasioso. A Chegada é um filme que levanta discussões sobre “nós” através da tentativa de comunicação com “eles”.

A melancólica produção tem tudo para no futuro ser considerada um marco para os filmes de ficção cientifica pelo fato de conseguir extraordinariamente bem dialogar tanto com o público que talvez não goste tanto do gênero e prefira ver algo mais redondinho, conclusivo, quanto com o que gosta de produções mais complexas para discutir a fundo, formular teorias e tudo mais.


Quanto as demais categorias, comentarei mais rapidamente abaixo. Só lembrando que meus palpites não se baseiam nas premiações consideradas termômetro para o Oscar, tomei como base apenas o buzz causado na internet. Também indicarei para quem eu vou torcer em cada uma. Pronto?

Melhor Diretor

Indicados: Barry Jenkins (Moonlight), Damien Chazelle (La La Land), Dennis Villeneuve (A Chegada), Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar) e Mel Gibson (Até o Último Homem).

Categoria bem coerente, só trazendo os diretores mais presentes em seus respectivos filmes, aqueles que fizeram questão de deixar assinatura — o que, como comentei, nem sempre é positivo. Descartando o exagerado Mel Gibson e assumindo que Lonergan fez um filme muito diferentão e por isso também não vá ganhar, ficamos com três favoritos ao prêmio. Minha torcida vai para Villeneuve e Jenkins, mas quem deve levar, merecidamente também, é o “novato” Damien Chazelle.

Melhor Ator

Indicados: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar), Andrew Garfield (Até o Último Homem), Ryan Gosling (La La Land), Viggo Mortensen (Capitão Fantástico) e Denzel Washington (Um Limite Entre Nós).

Começou a dificultar! Vamos lá: por mais que a atuação de Andrew Garfield não lembre seu desempenho como Homem Aranha (versão da qual eu como fã do personagem prefiro esquecer), ainda é complicado digerir o trabalho do ator, com sua mania de fazer caras e bocas. Ryan Gosling está muito bem em La La Land, mas não chega a se destacar. Viggo Mortensen, por sua vez, carrega Capitão Fantástico nas costas, afinal, o filme é construído através do ponto de vista de seu personagem. Viggo também não faz feio nas duvidosas viradas de roteiro, mas é justamente por culpa delas que eu acho que o ator não vencerá. Uma pena. Restando Casey Affleck e Denzel Washighton, atores bem diferentes. Por conseguir parecer tão assustadoramente real, aposto em Casey.

Animais Noturnos com certeza faz parte dos meus filmes favoritos de 2016. Mesmo não sendo um filme exclusivamente sobre arte, ele toca em algumas questões relacionadas de forma bem interessante. Pra não passar despercebido — como meio que aconteceu no Oscar — , acima uma pintura da protagonista em aquarela!

Melhor Ator Coadjuvante

Indicados: Mahershala Ali (Moonlight), Jeff Bridges (A Qualquer Custo), Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar), Dev Patel (Lion) e Michael Shannon (Animais Noturnos).

Tal categoria requer algumas ressalvas. Por mais que Dev Patel e Michael Shannon trabalharam muito bem, não consigo entender as indicações sendo que seus colegas de elenco, Sunny Pawar (Lion) e Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos), se destacaram bem mais e mesmo assim passaram longe da categoria. Também não concordo com a indicação de Lucas Hedges. Em Manchester à Beira-Mar, seu personagem é a coisa mais chata do filme e o ator não consegue deixá-lo minimamente interessante. Sobrando Mahershala Ali e Jeff Bridges. Aposto com segurança no primeiro, para quem também vai minha torcida!

Melhor Atriz

Indicadas: Isabelle Huppert (Elle), Ruth Negga (Loving), Natalie Portman (Jackie), Emma Stone (La La Land) e Meryl Streep (Florence- Quem é Essa Mulher?).

Apesar do claro alto nível da categoria, não posso deixar de manifestar minha decepção em não ver Amy Adams indicada pelo seu papel em A Chegada. Por outro lado, também devo dizer que foi uma grata surpresa conhecer a atriz francesa Isabelle Huppert e já vê-lá concorrendo por uma atuação tão visceral como a testemunhada em Elle. Junto da sempre impecável e precisa Natalie Portman, aqui indicada por incorporar (literalmente) a viúva de Kennedy, ela tem minha torcida. Entretanto, é óbvio que o prêmio será da carismática Emma Stone devido ao estrondoso sucesso de La La Land. Merecido?

Melhor Atriz Coadjuvante

Indicadas: Viola Davis (Um Limite Entre Nós), Naomie Harris (Moonlight), Nicole Kidman (Lion), Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo) e Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar).

A mais difícil até aqui! Começando por Octavia Spencer, uma atriz capaz de encontrar a linha que fica entre o drama e o humor com facilidade. Sabendo disso, o diretor de Estrelas Além do Tempo a escalou para um papel que a permitiu trabalhar dentro do que ela já faz de melhor. Não surpreende, mas funciona. Assim como é o caso de Michelle Williams, quem está bem o filme todo, porém, sua indicação se deve mais a uma cena em especial e, por mais extraordinária que a mesma seja, ainda não pode enfrentar o trabalho das outras três. A palavra para definir o que Viola Davis, Naomie Harris e Nicole Kidman fazem em seus respectivos papéis é “entrega”. Cada uma, a sua maneira, sustentando altas cargas dramáticas sem cair no melodrama. Dito isso, não consigo escolher apenas uma para dedicar minha torcida, embora quem deva vencer mesmo seja a Viola Davis.


Acho que é isso. Acabou ficando um textão, e olha que não comentei nem metade das categorias. Quem sabe no ano que vem hahaha!

Espero que tenha gostado ou pelo menos ficado por dentro do contexto da premiação esse ano, acho que o principal tá todo aí. Sinta-se a vontade para dividir sua opinião comigo, concordar, discordar, comentar as ilustrações e tudo que desejar.

No próximo texto, tentarei sair um pouco do tema cinema e focar um pouco em outra paixão: história em quadrinhos… Mais especificamente sobre uma equipe de super-heróis que em breve vai ganhar uma nova fase… Adivinhou já?!