Ocupar e Resistir.

No jukebox de um boteco, tocava “Árvore do Reggae”, da banda Ponto de Equilíbrio. A letra dizia: “árvore, raiz, combatendo de frente o sistema”. A menos de 20 metros dali, homens com escudos, mulheres com os rostos cobertos e crianças com camisetas na cabeça, empunhando pedaços de pau. O “Choque Soma”, como descrito no pedaço de barril plástico usado como escudo por um dos moradores da ocupação Vila Soma grita “ocupar, resistir”, e comemora a saída da PM (Polícia Militar) da ocupação (leia texto abaixo).

Ontem, o clima era de resistência no local. Três barricadas foram construídas usando pneus, móveis velhos e até um carro. Enxadas, pás, pedaços de madeira, facões e até rastelo eram as armas. Para intimidar os policiais, rojões e golpes no próprio escudo. As batidas marcavam o ritmo dos gritos. Tudo para anunciar que os moradores resistiriam à reintegração de posse marcada para domingo na área, que acabou sendo suspensa pelo STF (Superior Tribunal Federal).

“Estou pronto para a batalha do começo até o final. A única solução é lutar. A pá é a defesa da luta. A gente tem que combater eles como pode, com Deus na frente e a luta atrás”, disse o pedreiro José Melo da Silva, 52. Ele carregava uma pá de construção e usava uma máscara de motocross que achou entre o material deixado pelos bombeiros que trabalhavam na empresa Soma antes dela falir e dar lugar à ocupação.

De acordo com o professor Ricardo Mendes Tomaz, 36, um dos líderes dos moradores, a organização foi apenas de defesa. “São escudos feitos com barris de plástico, paus, ferros, ferramentas de trabalho, enxadas, facão. Infelizmente é o que eles têm para se defender. Não temos nem como nos comparar à força da PM”, afirmou. Os moradores também contariam com a ajuda do setor de autodefesa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto).

Leon Botão, TodoDia.

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