
Vi um homem triste hoje na rua
Ele carregava toda a noite, embora fosse próximo do meio dia, e o sol estivesse estrondoso no céu azul de domingo.
Esse homem que eu vi reluzia e se destacava em meio a sua escuridão. Como dum brilho próprio, ou se somente ele pudesse ser atingido pela luz. Naquela noite só sua, pude vê-lo claramente.
Involuntária como sua respiração, seu corpo comandava o balé dos movimentos para que o carro saísse da inércia e atravessasse o farol verde. Inconsciente como o piscar dos olhos, lhe escorriam finas lágrimas pelas bochechas.
Via-se tudo ali, menos o homem. Este, estava em outro lugar. Não era ele que inconsciente e involuntariamente comandava seu corpo, e o andar de sua carruagem de aço. O homem era a noite, que em meio a luz do dia, perdia suas estrelas, formando apenas um infinito de nada.
Ele virou a esquina e não pude mais vê-lo. Apenas sua escuridão, que agora involuntariamente comanda meu caminhar e inconscientemente produz as finas lágrimas que escorrem pelo meu rosto.