32

Vanessa Vieira
Nov 3 · 3 min read

É isso, minha gente: cheguei aos 32. Por algum motivo eles foram mais representativos que os 30 ou os 31. Eu ia dizer que não sei quais são, mas na verdade eu sei, sim. Aconteceu muita coisa em 2018 e, não satisfeita, eu achei que seria maravilhoso fazer planos pra 2019. Criei expectativas para o meu trabalho, família, casa e para o amor. Achei que, a essa altura do campeonato, tudo estaria encaminhado ou se encaminhando de alguma forma. E, sabe o que aconteceu? Deus disse “kkk, né amada?”. A grande verdade é que eu perdi um monte de coisas. Perdi tempo, saúde e pessoas especiais que achei que estariam na minha vida pra sempre (e sempre).

Em contrapartida, uma grande ironia se apresentou. Justamente no ano em que mais criei expectativas sobre tudo, desde que me entendo por gente, essa foi a primeira vez que não fiz planos de estar mais magra no meu aniversário. Apesar dos 365 surtos, hoje isso me fez sentir calma. Não alegre ou festiva. Calma. E isso, meus amigos, é a melhor coisa que poderia me acontecer nesse momento da vida.

Não sei expressar a vocês qual o sentimento de finalmente poder dizer, depois de 32 anos, que sou aquela gorda sem vergonha na cara. E porque teria? Esse corpo gordo tem me proporcionado uma vivência inesquecível. É por causa dele que abraço e beijo as pessoas que eu amo, que vou aos lugares que mais gosto. Junto com esse corpo gordo — sim, eu vou repetir corpo gordo até vocês se acostumarem com o som -, exerço o meu trabalho, pago as minhas contas e agarro as oportunidades que a vida me dá. É através dele que eu sei quando minha cabeça está mal, porque ele responde a cada estímulo emocional, bom ou ruim, que recebo. Graças à Deus pelo meu corpo gordo! Emagrecer ele não seria criar vergonha na cara. Vergonhoso foi tentar mudar ele, das formas mais absurdas e inimagináveis possíveis, nos últimos 32 anos, me convencendo de que era por saúde e não pelo desespero da aceitação social. Trinta e dois anos de circunstâncias opressoras, pessoas inconvenientes e situações embaraçosas, que eu nunca mais vou aceitar. De ninguém. Mais nenhum ano.

Esse texto começou a ser escrito dia 27/10, mais conhecido como dia do meu aniversário — e do Lula — , mas infelizmente eu fiquei muito doente. Foram três idas à emergência em 7 dias e eu mal tive energia pra sair da cama. Mesmo assim, curiosamente, eu não estou triste. Hoje eu resolvi celebrar esse corpo gordo. Ele é mais resistente do que eu poderia imaginar e tem aguentado firme todas as limitações dos últimos dois anos. Suportou consequências de estresse, insônia, dores pélvicas e lombares extremas, medicamentos pesados.

Ele é parte de quem eu sou, e por mais que as vozes da mídia, da publicidade, da família e da sociedade digam o contrário, eu não terei vergonha de um corpo tão inteligente, auto curativo e forte. Eu sou forte.

    Vanessa Vieira

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    Irremediavelmente apaixonada, acima de tudo.

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