Adotando a linguagem neutra de gênero
ThoughtWorks Brasil
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Mas esse anúncio não é neutro em relação ao gênero; houve a troca de O desenvolvedOR por As pessoAs desenvolvedorAs, mas o gênero está explícito. Se o objetivo é ser neutro em relação ao gênero, então é preciso evitar qualquer uso de quaisquer substantivos de gênero definido. Por exemplo, reescrevendo o anúncio para ser realmente neutro em relação ao gênero:

Procuramos quem desenvolve software.
Procuramos alguém que desenvolva software.
Procuramos quem saiba desenvolver software.
Procuramos profissionais de desenvolvimento de software.

Ou somos realmente neutros na comunicação, ou perde-se completamente o valor da proposta da neutralidade de gênero; trocar “o desenvolvedor” por “a pessoa que desenvolve”, ao meu ver, é apenas trocar seis por meia dúzia.

Quanto ao uso de “os deputados” — ou professores, ministros, desenvolvedores, ou qualquer que seja — , se o objetivo é reverenciar aquelas pessoas, homens ou mulheres, então talvez melhor ser explícito: “os deputados e deputadas que votaram em X, Y ou Z”.

Porque, no fim das contas, somos homens ou mulheres; se a pessoa se identifica como homem, então não se trata de uma mulher que se identifica como homem, mas de um homem; o mesmo para a pessoa que se identifica como mulher: não se trata de um homem que se identifica como mulher, mas de uma mulher.

Assim, penso, ser neutro quanto ao gênero pode ser interessante para comunicação genérica; mas às vezes, para reverenciar um feito, ser específico quanto ao gênero pode ser mais respeitoso.

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