Não seja o troll

Não sou nem um pouco fã de jargões e muito menos de conteúdo de auto-ajuda, mas tem uma frase do Mahatma Gandhi (por sinal, muito famosa) que sempre que possível tento praticar:

Seja a mudança que você quer ver no mundo.

Isso é particularmente difícil, porque muitas vezes agimos por impulso ou levados por reações e comportamentos que estão arraigados em nós desde criança, cada um de nós é educado de uma determinada maneira, além dos diversos estímulos enviados "pela sociedade". E por ter duas filhas pequenas, é que me sinto ainda mais responsável por tentar seguir esse pensamento sempre que possível.

Mas nem sempre foi assim… Por muitas pessoas, inclusive por mim mesmo, já fui considerado troll, ou ~polêmico~. Na verdade, eu achava que estava apenas "manifestando a minha opinião" e olha… eu tinha opinião sobre tudo!

Era só alguém fazer algum comentário que eu não concordava, já dava uma "indireta" ou iniciava uma discussão, contrariando e mostrando o quanto aquela pobre alma estava errada, e eu claro, era o dono da verdade. E mesmo quando eu percebia que não tinha mais argumentos ou percebia que estava errado, não dava o braço a torcer e mantinha a minha posição… coisa de teimoso mesmo.

Muitas vezes, inclusive, eu nem queria debater no sentido de aprender. Mas sempre olhava algumas coisas (e também algumas pessoas) procurando um erro, um defeito para que eu pudesse "dar a minha opinião".

E assim, fui afastando muita gente legal e até desenvolvendo um rótulo de prepotente, metido e chato. Sabe, aquele cara que você nem quer conversar porque sabe que não vai dar em lugar nenhum… Exatamente!

Teve uma vez, em 2014, que me fez começar a pensar nisso. Havia tido um Summit da comunidade GDG em São Paulo, e logo depois um DevFest (evento do GDG SP). E uma pessoa chegou em mim e disse: — Nossa, eu estava até com medo de falar com você! O fulano me disse pra pensar antes de fazer uma pergunta pra você! Mas você é legal!

Isso foi como uma porrada… Como assim, as pessoas tem medo de conversar comigo? Tem q pensar no que vão dizer pra mim? Isso não está certo, principalmente se me proponho a ser um catalisador em um determinado ecossistema. Aquilo, definitivamente, me deixou muito preocupado.

Mas, todos nós podemos e devemos evoluir.

Sei lá se é maturidade ou só a idade que vem chegando mesmo, mas então você começa a perceber que pode estar errado… sim, você não é dono da verdade!

Uma certa vez, eu postei no Facebook que iria desistir de discutir política (atualmente me encontro em um novo silêncio político em redes sociais), pois não havia debate. E ele me disse para não desistir, que mesmo tendo uma posição contrária a minha, gostava de debater comigo pois sempre causava uma reflexão nele e que já tinha aprendido muita coisa por ver as situações com um outro ponto de vista.

Outro amigo uma vez me mandou uma mensagem direta no Twitter dizendo que eu tinha um papel de influenciador na comunidade (principalmente pelo emprego que tenho) e que não era legal eu ter uma postura agressiva, com indiretas e comentários trolls. Que eu poderia contribuir muito mais oferecendo conteúdo, debates verdadeiros e uma interação "limpa".

Eles talvez nem saibam disso, mas esses comentário mudaram completamente a forma como passei a encarar comentários contrários ao que penso. Principalmente ações / discursos de pessoas que vão contra valores que tenho.

Primeira medida que passei a adotar foi, resolver os meus problemas com a pessoa correta. Ao invés de "xingar muito no Twitter" ou deixar indiretas soltas, quando algo me incomoda eu vou na pessoa e tento estabelecer uma conversa franca. Se não é possível, deixo o meu feedback pra essa pessoa e bola pra frente.

E passei a aprender a ouvir feedback. Isso mesmo, feedback ruim é uma BOSTA de se ouvir. Mas é necessário. Tirando haters e críticas destrutivas, se alguém tem algum comentário sobre o que eu faço, ao invés de tentar ficar justificando ou explicando, eu simplesmente aceito, peço mais detalhes (se for o caso) e absorvo. Sim, você deve absorver aquela crítica, se acalmar e aí analisar com calma. Se alguém apontou algo de errado, realmente deve estar acontecendo, você só precisa identificar como melhorar aquele ponto.

E isso não só pra raiva, mas também para momentos de alegria. Não se embriague com elogios e "declarações de amor". Por mais excelente que seja seu trabalho, curta esses momentos de reconhecimento, mas siga em frente. Isso me leva a um segundo pensamento que tenho nessas horas:

Não faça promessas quando estiver feliz. Não discuta quando estiver com raiva. E não tome decisões quando estiver triste

E por fim, sempre que alguém te apresentar um ponto de vista contrário ao seu, não reaja agressivamente. Pare, absorva e reflita. Talvez aquilo pode te ajudar a fortalecer seu ponto de vista ou até abrir novas perspectivas.

Esses pontos contrários aos seus pensamentos, são justamente os que podem te fazer crescer ainda mais. Mas, não basta ouvir e deixar aquilo de lado. Se é sobre um assunto que você se interessa, busque informações, leia a respeito! Vai ver como isso faz bem, conhecimento nunca é demais!

Não viva a vida procurando defeitos.

Recentemente fiz um curso de Sommelier de cervejas, e uma das lições mais importantes que aprendi foi de que não devia tomar a cerveja procurando defeitos, só porque era um "Sommelier" não tinha obrigação de achar defeitos e criticar. Deveria degustar a cerveja, aproveitar o que ela tinha de sabor, de experiência e de características talvez únicas. E então, analisar e se tivesse algum defeito, explicar.

E por que então, não viver assim? Deguste a vida, e se achar algum defeito, mostre porque é ruim e se puder fazer algo para aquilo ser corrigido, ótimo. Não deixe a busca de defeitos e problemas se tornar uma obsessão.

Abraços e espero que essas minhas reflexões sirvam de alguma coisa pra você.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.