O show das minhas lembranças e das surpresas.

E assim, guardei tudo para mim e compartilhei com ele


Neste mês, acabei me deparando com um texto de uma pessoa que foi a um show e se desafiou, em não publicar nada, nem se quer fazer um check-in no lugar e como a experiência que ele foi, foi incrível (leia aqui). Depois de ler o depoimento dele, fiquei me questionando sobre isso e como a minha vida, estava totalmente entrelaçada as redes sociais, meu trabalho de segunda a sexta, às minhas amizades virtuais e até mesmo o contato que tenho com a minha mãe — que acontece mais pelas redes do que pessoalmente.

Pensei muito, e decidi que iria me desafiar. Numa quarta-feira, após as 18h, fui para a capital e lá assistir um show, de um dos meus cantores preferidos. Entrei no ônibus e falei para mim mesmo: você só vai falar e fazer o necessário, para fazer a surpresa, ok?

Não publiquei que estava viajando, entrei no estádio e fui para o meu lugar, fiz meu check-in para dar um sinal de vida para aqueles que sabiam que eu estaria no show. Abri o Instagram e publiquei apenas uma foto no Stories, olhei o meu WhatsApp apenas para responder as pessoas que sabiam que eu estaria no estádio e olhar se ele estava conectado, para que a surpresa realmente aconteceria da forma que tinha planejado.

Como planejado, fiz tudo aquilo que tinha que fazer antes do show, quando o cantor entrou no palco, a vontade de pegar o celular e mostrar que ele estava cantando a minha música favorita, bateu forte. Porém, apenas vivi e ali chorei — comecei a chorar. Durante o show, entre uma ligação e outra, o sinal de telefone sumia e o wifi me salvava e assim, era um áudio enviado para trazer ele junto comigo para o show, quando chegou o momento da ligação, peguei o telefone e fiz uma ligação para Santa Catarina e ele me atendeu. Não falei nada, não sei se ele falou alguma coisa, apenas deixei ouvindo a música, uma das que me fazia lembrar dele e de como que eu gostaria de que ele estivesse comigo.

A ligação caiu no meio da música, liguei novamente e assim foi acontecendo, entre um pedacinho e outro, um áudio e outro, e as canções que me fazia lembrar dele, fiz com que ele estivesse comigo. Apenas ele, viveu aquele momento comigo.

O show acabou, olhei para o lado e junto com a equipe abri um grande sorriso. Todo mundo achou que eu estava sorrindo por conta do show, era por isso também, mas, eu estava sorrindo tanto porque ninguém sabia que eu queria guardar aquele momento para mim, para aquele que eu queria surpreender e pronto. Acabou, mais ninguém.

Aquele show só existiu uma foto e nenhum vídeo — mesmo que o cantor fez a sarrada pela primeira vez em um palco brasileiro (tá pipocando no Twitter). Aquele show existiu apenas entre umas ligações, mensagens e uma lembrança com aqueles que eu queria dividir o momento: comigo mesmo e com ele.

Não falhei na missão.
Guardei as lembranças para nós — 011 e 047.