A correria, ela é real e não é só aqui.

Neto Martini
Aug 8, 2017 · 3 min read
Aberto agora, aberto mais tarde, aberto.

A correria, ela é real e não é só aqui. Há algumas semanas tento falar com uma amiga, há alguns meses nós tentamos marcar uma noite para ir comer e tomar uma cerveja, há alguns meses nós tentamos nos ver e por conta da nossa rotina, ambos nunca conseguiram. É engraçado, porque ambos trabalham no mesmo ramo, em empresas diferentes, com clientes diferentes, situações parecida e principalmente o sentimento parecido.

Todos os dias, ambos acordam e já se vem dentro da empresa. Ambos acordam já com e-mails para responder, ideias para ser escritas, cobranças dos seus respectivos chefes e o deadline chegando ali, ali em cima da mesa, ali no sistema, ali nas conversas com os colegas de trabalho, nos almoços e até mesmo na hora da saída — aquela que nunca é o que imaginamos, a que está no contrato e não é por conta da empresa e sim, por conta deles mesmos.

Nunca conseguiram para de trabalhar no horário, conseguiram parar de trabalhar porque o trabalho realmente acabou, mas deixou outros para trás…

O trabalho. Dizem que você pode parar quando você quiser, que você cumprindo seu horário está ótimo, que é apenas isso que você deve fazer, porém você já começou a fazer uma coisa e não terminou? É claro que já, mas você já tentou voltar a fazer aquilo, no dia seguinte ou até mesmo com um intervalo de tempo? Pois bem, encontramos uma dificuldade.

Agora te convido a imaginar a seguinte situação: você está escrevendo um texto, com um baixíssimo nível de complexidade, ou se quiser ser afrontoso, imagina que está escrevendo sobre um assunto que não conhece e que precisou de um tempo de pesquisa para conseguir iniciar o seu texto. Pois bem, imagine que depois de duas horas pensando, estudando e pesquisa sobre o assunto e as coisas que já fizeram sobre ele, você inicia o trabalho e depois de 40 minutos, escrevendo, escrevendo e escrevendo, você para.

PARA! Mãos para cima, ao estilo Masterchef da coisa! Sem mais nenhuma virgula, correção ou até mesmo finalizar a sua ideia.

Você vai embora, vai para sua casa, universidade, sair com os amigos, aqueles que não trabalham na área — qualquer coisa que o desconecte com a situação, com o trabalho, com o local de trabalho e até mesmo com as pessoas que ficam ao seu redor.

Agora, já estamos no dia seguinte. Você voltou a trabalhar, fez tudo que você sempre faz na sua rotina e se deparou novamente com este material, que está para terminar e você tem que retornar. Retornar a sua linha de pensamento, retornar a sua pesquisa, retornar a toda situação de ontem — aquela que te fez entender do assunto, que te fez imaginar uma coisa. Difícil, né?

Me invejo dos escritores que ficam meses estudando, desenvolvendo, escrevendo para que aquele livro seja lançado, e quando você vai ler, a história está completa, com aquele começo meio e fim. Sinto que com esse tempo, me acostumei em escrever as três linhas, completar tudo em três linhas e se preciso de mais, bata um ‘clique aqui’ ou ‘leia mais em: [insira o link encurtado]’.

E por este motivo. Simples motivo. Onde o nosso começo tem hora, já o fim, é quando realmente o fim chega ou o cansaço grita conosco de certa forma, que nos assustamos, é algo rotineiro, que faz parte do nosso dia a dia. E assim, vamos deixando, remarcado, tentando reencontrar aqueles amigos, marcar.

Falando nisso, vamos remarcar o nosso encontro?

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    jornalista, se ele escreve, ele sente, vibra, agradece & eterniza.

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