Sobre ele, novamente.

Tudo era tão clichê quando se tratava dele. Mas quem diria, eu amava um bom e velho clichê.

Era como se todas as banalidades do mundo, fizessem sentido quando se tratava dele e do seu jeito desajeitado. Interessante que, ele não fazia questão de ser algo na vida das pessoas, nunca quis ter real significado. Ele só queria existir e ser lembrado, sem todo aquele romantismo das historias de super herói.

Eu sempre enjoei muito rápido, odiava aquele bicho papão chamado rotina, então me esforçava ao máximo para sempre mudar, nem que fosse apenas de tênis. Detestava o fato das pessoas serem egoístas e mesquinhas, se eu pudesse levaria todo mundo comigo e faria de tudo para cada criaturinha ser feliz a sua maneira.

Ele era muito diferente de mim, mas tão igual. Eu não sei explicar algo tão inexplicável e quando digo isso não estou brincando. Em meus textos, quando o tópico do dia é “ele e sua existência” eu apenas saio escrevendo, como se apertasse o botão de start e não parasse nunca mais. As palavras fluem quando eu preciso falar dele. O assunto se desenrola, o riso rola, pupilas dilatam e o coração dispara.

Ele tem uma voz doce, mas não doce porque é algo obrigado, doce porque é. Apesar de ser sincero ao extremo, sua doçura estava presente na maneira que me tratava em todos os momentos, até nos momentos de me dar um puxão de orelha por algo que eu fiz e que não foi bom para mim. E eu sempre fui ríspida com as palavras, as pessoas ouviam aquilo que mereciam, só que sempre carreguei comigo um pesar de ter magoado muita gente. E com ele, esse pesar se tornava tão leve, a ponto de nem se quer existir. Obrigado.

Eu tenho medo de muita coisa. De lagartixa, de escuro, de falta de interesse, de gente sem iniciativa. Eu sou muito insegura. Insegura quanto ao que vestir, quanto ao que tomar e quanto ao que fazer. Eu quero tudo ao mesmo tempo, quero ser a mulher maravilha e a batgirl, quero escalar o Himalaia mas eu quero conhecer o Taj Mahal também. Soa até meio esperado eu dizer que ele quebra tudo isso de ruim que eu tenho. Pois é.

Ele é do tipo que decifra um olhar e que vai persistir com uma ideia até o fim, que se for pra dar errado, que dê errado então. Eu era do mesmo jeito e a nossa insistência em coisas nos levou a estar juntos.

As vezes eu queria que o tempo se moldasse com o meu querer. Queria que todas as horas que eu fico longe dele passassem voando e que ele pudesse me ver sempre. Queria também ir dormir com um beijo de boa noite e acordar com um de bom dia. Queria levantar da cama num dia de domingo e ouvir ele gritando por conta de um jogo de futebol, ai eu chegaria bem pertinho, deitaria ao seu lado e dormiria ali de novo. Eu queria tantas coisas com ele. E te digo, que de tudo vou ter.

Meio genérico esse papo de se apaixonar pela mesma pessoa todos os dias. Só que ele faz isso ser incrível, incrível é pouco, adjetivo nenhum convém a tamanha habilidade de ser apaixonável. Ele chega com o beijo gostoso, parecendo algodão doce de parque de diversão. Ele chega com abraço de urso panda. Ele chega sendo ele, e é por isso que eu gosto.

Queria dizer um muitíssimo obrigada a ele por ser tanto. Acaba se tornando uma honra poder compartilhar o mesmo planeta, a mesma cidade e a mesma vida que ele. Por mais desajeitados e desajustados que somos, tudo isso soa tão ultrapassado quando o assunto é nós. Qualquer poesia de Pessoa ou de Neruda é mera fichinha pros olhos castanhos dele. Ah, ele.

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