Armazém Cavalcante

Um pequeno pedaço da história do comércio de bairro


— Menino vai na venda compra um litro de ói e mei quilo de café!

Esse tipo de grito era muito comum nos bairros de Goiânia nos anos 70, 80 e início dos anos 90. Era a ordem das mães para o filhos irem no armazém mais próximo comprar, ou colocar na caderneta, os itens de primeira necessidade. Era uma época onde não se falava de grandes redes de hiper mercados com suas estruturas gigantes e praças de alimentação abarrotadas de pessoas com pressa e famintas.

Dias atrás ao passar por uma rua não muito usual no meu trajeto notei a existência de um armazém muito próximo dos que conhecia quando criança. Tomei nota mental para passar lá novamente e tentar saber um pouco mais sobre o local e seu história.

Balcão de madeira e balança analógica Filizola
Fachada típica de um armazém de bairro.

O Armazém Cavalcante é tocado por uma senhora muito simpática, que me pediu para não publicar o nome, há mais de 40 anos no mesmo local, abrindo todos os dias da semana. A fachada, apesar de desgastada, conserva detalhes típicos dos armazéns familiares: estrutura de caixote, nome fantasia sendo o nome da família, luminária centralizada e as clássicas duas portas frontais.

Internamente é possível ver uma balança clássica, quem se importa se não tem o selo do Inmetro?, e os tradicionais balcões expositores de madeira (observe a proteção de madeira para evitar o pancadas no vidro).

Provavelmente o Armazém Cavalcante não vá durar muitos anos, pessoalmente eu gostaria que durasse para sempre, mas independente disso é de deixar o coração um pouco mais feliz saber que existem pessoas que não se importam com a velocidade do tempo, para elas o tempo é só um detalhe.

Viva os armazéns espalhados por esse Brasil afora!

— Marck Al