Escreva tudo o que vem na sua mente sem dar backspace — Meu processo de escrita, Flow e Contradições

Oi, como vai você?

A proposta de hoje é um pouco estranha, pois eu não sei o que eu vou ter a oferecer. Só que me veio a ideia de tentar produzir algo mais autêntico, sem a necessidade ou a audácia de querer construir algo incrível.

O que é engraçado. Pois quando estou escrevendo dessa forma, a primeira coisa que me vem à cabeça é: “O que eu posso fazer? Como eu posso fazer? Preciso de uma estratégia para fazer algo incrível, ainda que não tenha como”.

Todos os dias quando escrevo, sigo um certo processo. Me autoanaliso e vejo o que está passando na minha cabeça. Quais os pensamentos me chamam mais a atenção?

É um processo ótimo que tem me livrado de terapias por anos. Converse com o computador e tudo ficará bem. Você será normal como eu.

Depois disso, tento pensar nas pessoas que estão lendo. Sobre o que estão falando? O que as pessoas precisam ouvir? São algumas das questões que levanto para tentar definir um tema para os meus textos.

Então nesse momento eu espero estar bem inspirado e motivado para falar sobre algo. Costumo ficar conversando sozinho por alguns minutos para ver onde vou chegar e para me aquecer. Argumento, dou contra-argumentos e penso principalmente como quero finalizar o post.

Ou não. Tem dias que só sento e escrevo e vai que é uma beleza. Essa estratégia costuma funcionar melhor.


Sobre quando escrever

Pelo visto, o post de hoje será sobre como faço meus posts. Talvez isso mude, então não crie expectativas.

Eu tenho um ritual matinal que consiste nos seguintes passos:

  • Acordar
  • Tomar um copo d’água.
  • Ir para o banho
  • Tomar café da manhã
  • Me alongar e Meditar por 20 minutos
  • Arrumar a minha cama, abrir as janelas
  • Escovar os dentes e regar as plantas
  • Definir meu planejamento do dia — Lista de 3 tarefas no máximo
  • Sentar no computador e tentar escrever algo

Entretanto, existem dias que eu não me sinto favorável escrevendo de manhã. Então deixo para lá e espero surgir outra oportunidade quando eu estiver mais inspirado. Se nada disso acontecer, eu me forço a escrever algo antes de dormir.

Se você tem problemas para encontrar inspiração e motivação, eu sugiro que crie um hábito.

Para mim, os textos fluem melhor dentro do meu ritual matinal, pois meu cérebro se acostumou com o processo. É como se ele estivesse programado para expressar bobagens ao mundo nesse horário!

Também é importante se concentrar e ter foco.

Isso é um hábito que pode ser criado e, vou ser sincero, não sou um mestre nisso. Para dar um boost na criatividade, gosto de utilizar uma trilha sonora que esteja de acordo com o tema do texto.

Hoje estou improvisando, então o som será um Jazz nervoso.


A estruturação das ideias

Existem dois caminhos a se seguir. Eu ia chamar esta sessão de “O processo de criação”, mas não posso dar backspace. Considere este o assunto.

O primeiro é o Flow.

Trabalhar pelo flow é a melhor forma de construir algo, tanto pela praticidade quanto pela qualidade do resultado.

Para quem não sabe, o estado de flow é quando tudo flui naturalmente, você não vê a hora passar e se sente incrivelmente satisfeito com o ato. Este texto tenta incentivar o flow, e faz parte de um experimento para controlar melhor o estado.

Todos os grandes trabalhos das pessoas de sucesso costumam surgir desse Flow. Se você não conhece ou não tem vivenciado isso, vale a pena começar a pesquisar sobre.

Aqui, ainda nesta primeira possibilidade, é possível fazer um trabalho cru (como este aqui), ou dividir seu mindset em duas etapas.

Comece escrevendo tudo aquilo que vem a mente. Trabalhe como um bêbado e depois edite como um sóbrio chato.

É extremamente necessário que você fique 100% focado e concentrado naquilo que está fazendo.

A segunda possibilidade é a Escrita Planejada.

Aqui eu costumo definir todas as questões previamente, como o tema, argumentos, conclusão e introdução.

Embora eu defenda uma escrita autêntica, é importante que você se preocupe com o seu leitor mais do que se preocupa com o seu Ego.

Ou seja, o assunto é útil? O leitor vai conseguir ler até o final, ou estou sendo entediante? Ele vai acabar o meu texto como uma pessoa diferente?

Para mim, escrever algo que não tente transformar as pessoas é uma perda de tempo. Mas isso é opinião minha e a verdade que eu sigo.

Antes de iniciar qualquer planejamento, eu sigo o estado de Flow e escrevo em tópicos crus tudo aquilo que quero abordar. É muito provável que você tenha uma salada de assuntos e abordagens, o que é normal.

O próximo passo é secar os seus tópicos e tentar criar foco no que importa. Embora seja interessante falar sobre tudo o que você sabe, pois você é um sabichão, foque em apenas um tema. As pessoas devem sair com apenas um conhecimento, ou então irão se sentir como se estivessem fazendo malabares.

Tendo um assunto em foco, você deve organizar os tópicos e decidir a ordenação de como tudo será apresentado. É importante saber onde começar e onde você quer chegar. Para isso é importante entender as sessões do seu texto.

A introdução tem um mérito importante de comprar o seu leitor. Embora o título seja a primeira impressão e chamariz, o primeiro parágrafo vai indicar se vale ou não a pena continuar lendo.

O melhor recurso para cativar a atenção de uma pessoa é criando empatia. Seu leitor precisa se sentir como se ele mesmo estivesse vivendo o que foi dito. Uma das melhores formas de criar empatia é contando uma história, principalmente se for uma história sobre suas falhas e problemas.

Ah, claro! Eu estou falando de textos de não-ficção, jornalísticos ou algo do tipo. Nem sempre você precisará ensinar algo. As vezes só é preciso expressar um sentimento, assim como um pássaro que espalha as suas sementes.

Mas como meu nicho é Desenvolvimento Pessoal, eu sempre trabalho em cima de problemas e soluções.

Toda introdução deve apresentar um problema que vai se desenvolvendo através do decorrer do texto e é solucionado em seu clímax. Parece óbvio, mas nem sempre conseguimos botar em prática.

Existem alguns recursos interessantes que eu também gosto de utilizar nas conclusões.

O principal é o da surpresa. Ao invés de seguir a sua linha de raciocínio apresentada no desenvolvimento do texto, quebre a sua lógica e faça um plot twist.

É um processo similar com o que acontece na nossa mente consciente.

Parece que quanto mais afetados emocionalmente nós estamos, mais a nossa mente tenta controlar as rédeas. Você começa um texto falando sobre como quer ser autêntico. Você quer deixar as emoções fluírem, mas no fim acaba fazendo uma monografia sobre processo criativo de textos.

Mas percebo que o problema não é esse.

O simples fato de eu definir que vou fazer um texto fluídico já indica que estou racionalizando. Quantas escolhas racionais nós não achamos que fazemos como coração e vice-versa?

É um processo interessante. O ato de não nos abrirmos corretamente quando somos colocados contra a parede.

Se eu te perguntar agora: qual o seu maior sonho? Provavelmente você irá mentir. Não só para mim, mas para si mesmo.

Talvez você diga que quer uma casa. Mas lá no fundo, o que você quer é independência e segurança. Isso por que seus pais controladores sempre estiveram presentes demais e você nunca sentiu a real liberdade de tomar as suas próprias escolhas. A casa é só uma representação racional, mas que poderia ser substituída por diversas outras soluções mais plausíveis.

Nós projetamos as nossas frustrações e criamos soluções falsas como paliativo. Queremos o amor das nossas vidas, como simples solução tangível das nossas seguranças internas.

Queremos dinheiro não porque queremos fazer e ter nossas necessidades materiais supridas. É apenas um condicionamento interno e intrínseco das pressões sociais sobre o que podemos ter ou ser. É a nossa frustração por não conseguir alcançar, como pessoas, aquilo que gostaríamos de ser. É o poder de compra para obter algo, mas que reflete o nosso poder de sermos aquilo que realmente gostaríamos de ser.

E o grande lance do flow é deixar-se levar e ir navegando cada vez por águas mais profundas. Assim como num processo meditativo ou hipnótico, você deve ir ouvindo as palavras lentas que te cercam, até que de súbito você entre em transe.

Então sua mente começa a agir de forma autônoma e o que está querendo ser dito realmente vem a tona. Não importa o que está acontecendo lá fora. O seu ser essencial veio a tona e tem algo a lhe mostrar. Deixe fluir.

Nós ignoramos demais nossos instintos e a nossa intuição. Queremos calcular o que vai dar certo, o que é mais plausível e o que é mais aceitável.

Esqueça tudo isso. Faça o contrário. Seja incoerente, seja volúvel e seja ausente.

O processo de escrita é uma linda ferramenta de autodescoberta que está disponível para todos. Minha sugestão é que você apenas tente.


Texto Matinal 12/08/2016

Hoje eu tentei escrever algo sem me preocupar para onde estava indo.

Talvez eu tenha me perdido, mas se perder é bom. Você toparia fazer o mesmo experimento? Se sim, não esqueça de deixar nos comentários o link da sua versão.

E se, de alguma estranha forma, você tenha gostado disso tudo, ❤ it.