O Poder do Desconforto

Estávamos com fome.

E foi só depois de enrolar por uns bons minutos que decidimos que o nosso sofrimento deveria acabar.

“Vamos lá na padaria”, ele disse antes de completar toda a frase: “Mas vamos de carro”.

Eram 5 minutos de caminhada até lá e, ainda assim, ninguém queria andar.

Era o sinal do apocalipse da nossa atual comodidade.

Queremos tanto evitar o desconforto, que criamos estilos de vida absurdos, o que, na minha visão, gera uma variedade de complicações na nossa psiquê.

Estamos o tempo todo nos divertindo, ocupando as nossas mentes com socializações, joguinhos e vídeos engraçados.

Criamos aplicativos de namoro para evitar os constrangimentos ao vivo.

Procrastinamos porque não conseguimos encarar mais as possibilidades de falhar.

Mas o que acontece quando nos damos conta da realidade, essa cheia de dores, esforço e falhas?

Para a maioria das pessoas, a vida perfeita é um sinônimo de uma vida sem problemas. Entretanto, este distanciamento da realidade é a principal causa de tanto sofrimento por trás dos menores desconfortos.

Ansiedade, depressão, baixa auto-estima.

Quando foi a última vez que você falhou depois de dar tudo de si?

Talvez nos falte mais desconforto.

Fazer um jejum prolongado. Ficar exausto. Viver com menos dinheiro. Tomar uns foras. Bater a canela no pé da cama.

Quais os seus maiores medos e porque você não tenta viver um pouco dos seus piores cenários?

Estar desconfortável é uma dádiva e a insatisfação nos faz querer ir além.