O que eu aprendi com o pior jogador de Angry Birds

Ônibus cheio. Tarde de Sábado.

Sozinho e sem nada para ler, fazer ou pensar. Olhei para os lados procurando algo para passar o tempo.

As vezes tenho essa estranha mania de ficar analisando as pessoas (recomendo).

E para a minha felicidade, logo ao meu lado estava um sujeito de aparência simples, beirando os seus trinta anos.

Em suas mãos, um celular por onde ele jogava Angry Birds pela primeira vez, ou assim espero eu.

Era como se eu estivesse assistindo um gameplay ao vivo.

Ele puxava o estilingue e arremessava um pássaro. O pássaro errava o alvo e batia de cara com a parede.

Próxima tentativa.

Puxava o estilingue e arremessava um pássaro. O pássaro errava o alvo e batia de cara com a parede. Na mesma droga de lugar.

O processo se repetiu cerca de OITO VEZES. Comecei a rir.

“Você é burro?”, pensei quase que alto. Era como se estivesse assistindo Os Três Patetas. Tudo bem não saber jogar, mas aquilo já era um absurdo.

Ele errava e não mudava em nada nas suas escolhas. Puxava o estilingue da mesma forma, no mesmo ângulo e intensidade. Queria efeitos diferentes com a mesma causa.

Então, por acidente, ele errou a sua puxada clássica e finalmente acertou o alvo. Parecia finalmente ter entendido a lógica daquilo.

Próxima fase.

Ele puxou o estilingue e arremessou um pássaro de cara com a parede…


Você tem mudado a sua puxada de estilingue?

Que inteligente sou eu, que só observo e rio, ignorando as minhas próprias gafes.

Ainda me lembro da segunda empresa onde trabalhei.

Era algo infernal. Todos os dias eu queria me demitir, mas não o fazia. Pensava: “as coisas vão mudar” e dava mais uma chance.

Por dezoito meses, eu estava dando de cara com uma parede, insistindo sempre no mesmo erro.

A diferença entre eu e o sujeito do Angry Birds é clara. Ele estava sendo estúpido em um joguinho, enquanto que eu sou estúpido na vida.

Posso ficar o dia inteiro falando sobre como eu caio sempre nos mesmos erros. Você sabe como é.

Ela te dá bola. Você vai atrás. Ela te ignora. Você fica chateado e diz: “agora acabou, estou fora”. Então ela te dá bola e o ciclo se repete.

Nós caímos nas mesmas armadilhas da vida. Como somos todos tapados?

De quatro em quatro anos, acreditamos que as eleições podem mudar algo. Deletamos amigos por política, mas no final nada muda.

Essas coisas realmente existem, ou estamos insistindo nas mesmas teclas?

Provavelmente Alguém também está olhando para a nossa vida e rindo, apenas esperando para ver o momento em que vamos nos tocar.

É preciso mudar a puxada do nosso estilingue.


Texto Diário — 30/08/2016

Irônico como eu acabei cometendo mais um erro óbvio enquanto escrevia esse texto.

Reclamamos dos problemas da vida, das pessoas e até d’O Cara lá em cima, mas dificilmente estamos mudando as nossas atitudes.

Será que somos muito diferentes de robôs?