O que me deixa puto sobre o caso Gregório Duvivier

E voltamos para mais uma coluna “O que me deixa puto sobre”. Prepare-se para tapas na cara, opiniões controversas e alguns palavrões.

Aviso: eu não estou certo. É apenas uma opinião. Tem gente que gosta de milho e eu não julgo. Vamos conviver com isso.

Quando li o texto do Gregório, logo de manhã, achei simplesmente lindo.

Era uma declaração clara: o amor havia terminado, mas o que importava era a experiência de tê-lo vivido.

A maioria das pessoas não percebe isso. Somos tão apegados que queremos o “felizes para sempre”, sem valorizar o que já foi vivido. O seu passado não se torna uma mentira só porque terminou ou não deu certo.

Mas muitos começaram a perceber o texto de forma negativa, ignorando essa mensagem.

E todo esse escândalo me deixa puto.


Analisando o choro

As pessoas não tem o que fazer? Pois eu também não tenho. Então vamos perder tempo rebatendo alguns argumentos (não faça isso, a menos que queira ser odiado). Vamos lá.

Grande parte da balburdia é baseada em achismos e boatos. É a interpretação pessoal de cada um utilizando a própria régua, conforme o que mais lhe convém.

“Ele está expondo a Clarice”. Por escrever relatando o amor que sentia? Vamos queimar todos os poemas e músicas de corações partidos então, minha gente.

“É apenas marketing do filme”. Muitas obras famosas na história da humanidade foram feitas por encomenda da nobreza. Isso não altera a qualidade da obra ou a torna falsa.

Da mesma forma, quando escrevo, escolho um tema — no caso, seria o filme — e penso em como me conecto emocionalmente com isso. Acabo contando histórias particulares e nem por isso estou me vendendo.

“Ele está pressionando a Clarice!”. Pelo amor. A mensagem é clara nas últimas palavras do texto. “Não falta nada”. A relação acabou e teve direito a tudo. Está ótimo assim e não precisa de um felizes para sempre.

“Pelo menos se a gente tivesse um filho”. O ponto foi dizer que o filho seria a materialização do lindo amor que o casal teve. É simbólico e não factual.

“Ele é machista, traiu a mulher e tinham uma relação abusiva!”. Eu li isso algumas vezes e fiquei chocado. Será que é real? Pesquisei e não encontrei nada. Na verdade, a própria Clarice desmente todas as acusações feitas. Ela, como feminista, não ficaria quieta se tivesse esse tipo de relacionamento ou tampouco continuaria amiga do Ex.

Ah os boatos!


A hipocrisia nossa de cada dia

É incrível se incomodar com a exposição das pessoas, mas, ao mesmo tempo, estar tão preocupado com a vida dos famosos.

Somos campeões em focar a nossa atenção na vida dos outros, sem nunca olhar para o próprio umbigo.

E isso não é um problema dos outros. É um problema que todos nós temos.

Somos grandes hipócritas. A mudança começa com o difícil passo de perceber os nossos próprios desvios de conduta.

Pode dar opinião e peso emocional no término do casal? Claro que pode. Olhe só que lindo a comoção do término deles. Mas quem não pode escrever sobre, é o próprio Gregório.

Ninguém se revolta seriamente com as revistas de fofoca, como a Capricho ou a Ego. É sempre mais fácil mirar e atirar em indivíduos desprotegidos.

Compartilhar sobre o Setembro Amarelo é simples. Vamos lutar contra a depressão, mas ao mesmo tempo vamos bombardear a Bel Pesce com os nossos julgamentos. Nada como a minha justiça.

Pois além de hipócritas, somos covardes.

Externalizamos nossos sonhos e frustrações em ídolos, pois é mais conveniente ser um telespectador do que um ator.

Ficamos fascinados com celebridades e criamos empatia por suas vidas como se fossem as nossas. Responsabilizamos os nossos ícones enquanto nos removemos do papel principal do mundo em que vivemos.

A culpa do país é dos políticos, dos famosos e da burguesia. Nunca é minha.

Eu nunca li textão de alguém falando sobre as suas próprias babaquices. Eu nunca li alguém falando de forma tão crítica sobre suas falhas, erros e traições.

E isso só acontece por um motivo.

Nós temos dificuldade em aceitar as nossas cagadas e, para compensar isso, nosso inconsciente começa a externalizar o que não aceitamos.

Tudo vira problematização, pois os ícones são a melhor representação do meu eu-imbecil. O que digo, na verdade, é o que eu preciso ouvir.

Mas se não for isso, peço desculpas. Eu talvez esteja errado.

Nesta hora eu sempre ouço um “acho que você que não me entendeu”. Fico feliz que você e todas as pessoas que se indignaram com tudo isso sejam perfeitas.

Os outros são os babacas.

Mas eu não. Eu nunca fiz nada disso.


Texto da Madrugada 13/09/2016

“Vai dar ruim”. Mas tudo bem.

Primeiramente é importante dizer que eu não desqualifico os tópicos citados pela luta feminista. Reconheço todos os problemas citados, mas não os enquadro no texto do Gregório.

Sempre que escrevo sobre essas tendências eu tento direcionar o escopo do debate para a autorreflexão.

Eu acho um erro enorme focar a atenção em pessoas. O problema não são as pessoas, mas sim as suas atitudes. Personificar os erros de alguém, dentro dos meus valores, é a maior das injustiças.

E ainda que indivíduo X tenha dito abobrinhas, a questão não é julgá-lo. O que podemos é analisar o seu comportamento e ver o que pode ser aprendido, passando para frente.

Ao invés de dizer o que não fazer, vamos procurar o que devemos fazer para ter um mundo melhor. Que tal?