Pokemon GO, Conexão em Excesso e Dependência Tecnológica — Para onde vamos?

Mais um texto sobre Pokémon? Pois engano seu. Na verdade o jogo só veio para contextualizar uma ideia.

(Mas aproveitando a oportunidade de argumentar sobre o absurdo: acho engraçado a polêmica de uma pessoa ter sido atropelada jogando. Afinal, no Brasil são 42 mil mortos em acidentes de trânsito por ano e ninguém liga. Deveríamos andar de charrete?)

Quero falar sobre como o mundo tem se transformado e como temos interagido com a tecnologia nesse processo.

Há 14 anos meus trabalhos eram feitos na biblioteca da escola, todos escritos a mão. Eu não tinha internet.

Quando eu saia, não precisava ligar para meus pais, pois não tínhamos celular.

As relações sociais também mudaram. Meus amigos eram apenas presenciais. Estavam na escola, na rua e no prédio.

Até que se fez a Internet!

Lembro que uma das primeiras pessoas que adicionei no ICQ (oh-ou!) era de Recife. Uma menina linda chamada Marisa (nome fictício) por quem instantaneamente me apaixonei. Surgia o amor à distância no mundo.

Da mesma forma, também surgiam os tais “perigos” da rede. E se ela fosse um molestador tentando me enganar? Meus pais sempre vinham me alertar e, dependendo deles, a Internet poderia voltar para o Limbo.

É algo natural. Existem os progressistas e os tradicionalistas. Sempre que uma mudança surge, o segundo grupo tende a criticar. São os famosos velhos ranzinzas.

  • “Você tem amigos online? Que nerd!” — O bobão que hoje agradece pelo Tinder.
  • “Filho, você tá o dia inteiro no computador!” — Meu pai, que hoje não larga seus três celulares.
  • “Esse pessoal que fica caçando Pokémon deveria é caçar um emprego” — Pessoa de vida triste que merece nossas orações e apoio.

E embora eu ache que o progresso desacerbado seja perigoso (pelo ponto de vista ambiental principalmente), o que estamos vivendo não passa de algo inevitável.

Existem necessidades pessoais que clamam pela mudança.

Nós somos seres sociais, o que torna natural o crescimento da nossa conexão. Por séculos, o sonho da Telepatia veio se concretizar através da tecnologia. Não foi um ato do acaso.

Vivemos em uma Era de falta de significado. Tentamos satisfazer a nossa falta de propósito com filmes e jogos. Queremos embarcar em uma grande aventura que não encontramos normalmente. Alguns caçam monstrinhos, enquanto outros torcem para um time de futebol.

A mudança é inevitável.

A questão não é aceitar ou recusar as transformações sociais e tecnológicas do mundo. A questão é pensar o que pode ser feito com tudo isso.

Você pode reclamar do excesso de conexão e exposição; ou pode se tornar um criador de conteúdo útil.

Você pode reclamar dos aparatos tecnológicos; ou pode criar algo como o Uber, Waze e Medium.

O Pokemon GO é uma grande bobagem? Depende de você.

Conexão e tecnologia são coisas lindas e o problema é simples: as pessoas utilizam seus recursos de forma egoística.

A bobagem é usar a Internet para ser mais que os outros. Mais popular, mais legal, mais engraçado.

Quando começarmos a oferecer algo verdadeiramente para os outros, tudo começará a ter mais significância, incluindo as nossas próprias vidas.

A conexão veio para isso. Para nos mostrar que existe o “nós”.


Texto da Madrugada — 07/08/2016

Estou com sono. Me ajudem na revisão. Boa noite.