Nem todos os gays são o Neil Patrick Harris.
Mário Lemes
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Olá Mário, primeiro parabéns porque seu texto já é um sucesso viral via facebook e muita gente está feliz por se identificar com sua crítica ao modelo “gay margarina” que você tão bem desconstruiu.

Mas como também gosto de dar minhas “redatadas” (sic), queria comentar algo que me trouxe um sentido de falta ao ler sua opinião.

Mesmo sendo claro na sua crítica e mostrando que existe uma pluralidade imensa em nós os viados, já que também somos indivíduos em sociedade e não “freaks” alienígenas, eu também acho que podemos querer ser “outras coisas” qualquer.

Parece que todo aquele imaginário do gay masculino sensível, que não se sai bem nos esportes, que chora com músicas e filmes tristes e que usa toda uma coreografia pessoal para se mostrar “expressivo” (o efeminado já perdeu a seu significado) está sendo varrido para debaixo do tapete justamente por esse igualitarismo inclusivo que muitos aplaudem.

Mas me parece, novamente, uma cilada da sociedade opressora.

Ao gerar um novo modelo “permitido” (não a bicha louca, nem o gay machão e nem o gay papai e mamãe) seremos o “gay zé ninguém” , parafraseando Reich, e fazendo-nos perder a potência de identidade.

O que a Judith Butler conceituou como sendo a identidade “performática” do gênero, para que lado ele queira ir e com o resultado social que se queira atingir.

Assim acho “pé na porta” dizer que “não colem em mim essas porras de adesivos identitários!” como você bem o fez, mas que não se perca o rebolado, a desmunhecação, a voz aguda, os biquinhos e as tiradas geniais que levamos tanto tempo para assumirmos como nossas e que também nos identificam.

Ser diferente ou ser igual a todo mundo. Que isso seja uma escolha, que seja opcional e que seja mutante.

Beijos se for de beijos, abraços se for de abraços.

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