Para minhas Marias

Hoje quero escrever para todas as mulheres da minha vida, sejam elas amigas, familiares, conhecidas. Próximas, ou nem tanto, mas que um dia já cruzaram meu caminho. A elas, dou o nome de Maria, algo que me remete ao feminino em toda a sua beleza e força. Tenho muito a dizer, nada que poderia resumir em apenas uma palavra, mesmo que ela fosse sororidade. Para as minhas mulheres, uma carta tampouco é suficiente, mas preciso contar como é bonito ser contemporânea de vocês.

Primeiro, gostaria de me desculpar. Sei que muitas vezes não ouvi o seu pedido de ajuda e não entendi muito bem o seu clamar. Também sei que por ter um mundo masculino muito presente em minha vida, a deixei de lado tentando me encaixar nesse universo que me parecia chamativo. Talvez achasse que precisava deles para me sentir mais forte, para poder fazer a minha voz ressoar. Hoje vejo que não… Deveria ter te ouvido mais, ter te amparado mais, ter me juntado mais a você. Só assim, poderíamos ser ouvidas. Juntas.

Ouvi dizer em uma música, cantada por uma mulher e não poderia ser diferente, que eu não ando só. E se eu não ando só, é porque você cruzou meu caminho, porque me olhou com empatia mesmo que por alguns segundos. É porque trocamos experiências e aprendemos uma com a outra. É porque você desbravou caminhos para que eu pudesse seguir, é porque se preocupou comigo e perguntou se eu estava bem. É porque me compreendeu até no silêncio e nunca cogitou a hipótese de que meu sofrimento fosse exagero, loucura ou histeria. É porque compartilhamos de uma força que apenas as mulheres entendem, afinal, vem das entranhas.

Não ando e nunca estou só porque sei que compartilha da mesma opressão que eu, mesmo que ela se dê em várias esferas e dependa muito de outras questões sociais. Sei que você também já se calou ou foi calada e sei que tentou levantar a sua voz junto comigo quando viu isso se repetir. Nunca estarei só em um mundo onde você desfila leveza e dissipa amor. E mesmo quando brigamos, quando nos odiamos e nos estranhamos, temos muito em comum e sabemos disso.

Já houve um tempo em que achei que não precisasse de você. Que achei que você não era tão forte quanto eu esperava que fosse e por isso me afastei. Buscava essa fortaleza em outros lugares, mas hoje entendo melhor tudo que aconteceu comigo. O espelho estava virado, mas quando pude enxergar, me vi em você e a vi em mim. Somos fruto da mesma Eva, da mesma Frida, da mesma Dandara, da mesma Olga e da mesma Rosa. Viemos de um mundo que nos violenta, mas hoje eu sei que somos iguais e te agradeço sempre por isso.

Acho que agora só me resta agradecer e te dizer que onde eu estou sempre terá espaço para você. Hoje faço as pazes com a Maria que tem dentro de mim, e isso tem muito a ver com você. Obrigada por existir, por fazer a vida ser mais bela, por construir barreiras que me cercam do que é ruim. Mil vezes obrigada por fazer com que eu nunca esteja só e por entender minhas falhas. Hoje, te escrevo para dizer que só vejo beleza na palavra mulher e que tentarei me aproximar cada vez mais disso que nos une. Te mando esse texto para prometer mais empatia, mais carinho e afeto, mais cuidado e mais amizade. Te mando esse texto, também, para que nunca se esqueça do quanto é maravilhosa e para que tenha certeza que, em algum momento, mudou minha vida. Só você é capaz disso, Maria. Continuemos juntas e ninguém ousará mexer conosco.

Beijos e Abraços!

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