Esquizofrenia Intelectual

Rousas J Rushdoony publicou Esquizofrenia Intelectual em 1961, nos Estados Unidos. Mas o leitor atento terá a percepção de que o Brasil atual não é diferente daquilo que o autor descreve no decorrer das páginas deste livro que cai em nosso colo como uma bomba, denunciando os caminhos perigosos que a educação pós-moderna vem trilhando. São 10 capítulos de tirar o fôlego, mais seis apêndices, que são textos sobre pautas mais específicas, todavia, sem deixar de tratar do tema maior da obra.

Esquizofrenia significa literalmente “mente dividida”. Trata-se da fragmentação da realidade na mente fantasiosa de quem alimenta utopias, colocando a fé em valores humanistas, quando na verdade, o humanismo diluiu a noção de valor. Daí, esquizofrênico é o homem pós-moderno com sua gama de ídolos, buscando o céu na terra, quando o verdadeiro céu é recusado.

Rushdoony vai afirmar que a esquizofrenia consiste em negar a Deus e, concomitantemente, habitar no mundo de Deus. Usando uma expressão do seu amigo e teólogo, Van Til, diz que o homem fragmentado é culpado da “síndrome de Caim”, desejando que Deus não exista, mas arremata em sua fala que ao tentar eliminar Deus de sua vida, o homem está suprimindo toda a realidade. E a educação estatal tem tudo a ver com isso.

Como cristãos, devemos dar uma resposta a este modelo imposto de educação e afirmar que não há nenhum fato que esteja fora da realidade ontológica da Trindade. Rushdoony chama isto de “autoconsciência epistemológica”. Trocando em miúdos: só sabemos o que sabemos e porque sabemos devido aos fatos serem pessoais, criados por um Deus pessoal. Este deve ser o ponto de partida do nosso pensamento, caso contrário, endossamos a fila dos esquizoides.

É daí que vem a sua crítica ao projeto de educação estatal, pois o mesmo é promotor de uma mentalidade dividida, criando indivíduos que são hostis à fé cristã devido a sua grade curricular ser anticristã. As escolas públicas, ao retirar Deus de sua filosofia, estão atentando contra a realidade e contra a pessoalidade humana. No lugar disso, o relativismo toma forma e as pessoas mergulham num mundo cada vez mais irreal, porém, anestesiadas pelo conteúdo humanista que faz do homem um fim em si mesmo. Vaidade das vaidades, diria o Pregador.

O que será das nossas crianças e jovens, estudando em escolas estatais com conteúdo que faz do homem um fim em si mesmo? Será que 2 ou 3 horas semanais de estudo bíblico e sermões são suficientes para combater as horas a fio que passam nas bancas escolares aprendendo sob uma perspectiva materialista? Será que estamos sendo lúcidos ao permitir que os prédios educacionais de nossas igrejas sejam utilizados apenas aos domingos pela manhã? Rushdoony alerta:

“Devemos reconhecer que nada é mais míope e trágico que limitar o cristianismo a objetivos eclesiásticos quando sua responsabilidade se estende à totalidade da vida, e numa vez que Jesus Cristo é apresentado, nas Escrituras, como Mediador da redenção cósmica e pessoal”.

Por isso, a proposta é que a igreja seja a promotora da educação, assim como havia sido ao longo dos séculos. Até o século 19, escolas e universidades eram mantidas por igrejas e ordens religiosas, com exceção de uma ou outra. Mas isto foi sendo invertido e a igreja assistiu ao fortalecimento da educação estatal de maneira passiva. Sendo até cooperadora em muitos momentos deste projeto que busca fortalecer o poder do Estado, que por sua vez, educa indivíduos para serem leais a si. Rushdoony nos lembra que o Estado tem a sua importância, e tem a sua funcionalidade dentro da ordem criacional instituída por Deus. Todavia, não deve ter caráter produtivo, cabendo a produção e a criatividade a outras esferas da sociedade, que precisam operar livres dentro de sua área limite de atuação. Assim deveria ser com a família, a escola, as artes, a ciência, os negócios e etc. O gigantismo estatal é a castração da liberdade e a perversão da ordem criacional. Logo, se queremos acabar com a influência do estadismo, precisamos voltar nossos ataques à educação estadista.

Em tempos como o nosso, onde as famílias estão perdendo o controle sobre o que os seus filhos devem estudar, e um projeto como o Escola Sem Partido gera acalorados debates, ler Esquizofrenia Intelectual pode elucidar a temática e lhe fazer entender a importância de ter uma educação livre das amarras do Estado. Ao lado de “Quem Controla a Escola Governa o Mundo” (de Gary Demar, também editado pela Monergismo), o livro aqui apresentado é de suma importância. Não tenho muito mais o que dizer a não ser: Leia Rushdoony.

(Por Thiago Oliveira — Pastor, marido da Samanta e pai da Valentina)


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