Retrato pós moderno

Aonde mora seu coração? Quando foi que parou de ouvi-lo? Ou quando começou a confundir seu coração com seu pé, do pé com a cabeça e tudo virou uma grande bagunça?
Passei muito tempo sem conseguir ‘saber’ distinguir, separar uma coisa da outra. Sentimento, emoção, mágoa, amor, raiva, tudo se misturava numa mesma caixinha. Imagina a bagunça em lidar com tantas coisas ao mesmo tempo. Distinguir o bom do ruim, a mágoa do amor. Mas o pior, como se priorizar se a parede que te dá estrutura é mais frágil que qualquer castelo de areia feito por qualquer criança de dois anos ou três anos de idade? 
Passei longos anos da minha vida assim… Trincando dentes e com uma dislexia cruel, onde esquerda e direita eram praticamente o mesmo lado. Direita racionalidade, esquerda emoções. Confusões mentais de prejudicar a elaboração de qualquer estrutura de pensamento. Pensamento também é o primeiro passo para a ação. Não, não era bipolaridade, mas sim, simpatizava com a depressão. A depressão para muitos é um mal moderno, compreensível quando vivemos nos alimentado de tudo que é tipo de informação. Assim como Bauman coloca brilhantemente: estes sãos os estímulos da sociedade pós contemporânea. E você, como tem reagido a esses estímulos? Será que de forma consciente?
Bauman é deprimente e desesperançoso, apesar de ser sincero. Meu gênero é diferente… Eu prefiro sonhar e voar alto. Mas é que ele fala sobre uma sociedade de massa e de coisas que não podemos ignorar, porque nos afetam. E, quando falamos de ‘afetam’ rima com ‘afeto’. Não é a toa. Não dá para não falar de uma coisa sem a outra. Não dá para ignorar o fato que vivemos numa sociedade cheia de tendências, manias sociais, culturais, que nos afetam diretamente. E o que nos afeta se conecta com o os nossos afetos. Assim como existir numa sociedade nos liga a algo chamado superego social. Não vivemos sozinhos, além disso, a solidão pode ser um castigo. ‘O infernos são os outros’, esse é outro ponto de vista colocado por Sartre. Porque se o inferno são os outros e os outros são os nossos próprios reflexos, o que queremos captar dos outros para nós mesmos? Porque se estamos bem o outro não nos afeta. O outro também é reflexo do que queremos de melhor, do auto conhecimento, crescimento. Por isso que essa luta deve ser sempre constante… A busca eterna pelo auto conhecimento, o sair da caixinha, o fazer diferente, o se melhorar a cada dia, instante, minuto qualquer. O de não julgar, primeiramente a si, depois ao próximo. E o simples fato que parece fácil mas na verdade é a mais árdua tarefa: permitir-se.
Quando enraizamos essas estruturas dentro de nós deixamos de ser só mais um no meio da multidão para nos tornarmos seres humanos completos. Quer queira o que esse sentimento signifique, nos tornamos uno com o universo. Vivendo a totalidade, nos permitirmos. Ajudamos a massa, vivemos harmoniosamente com o coletivo. Mas pra começar, o despertar da consciência é e sempre será individual.

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