“Talk Me Down” mostra a maior e dura realidade do mundo gay

Após assistir o vídeo Talk Me Down, do cantor Troye Sivan, que encerra uma série de três clipes que formaram o minifilme Blue Neighbourhood, analisei os comentários nas redes sociais, tanto os que falaram bem e tanto os que falaram mal, e me deparei com uma sequência de opiniões um tanto interessante: muitos gostariam de ter visto o final feliz no vídeo e criticaram um pouco o pequeno filme que foi melodramático demais e que deixou a desejar.

O cantor demonstrou o seu grande potencial com a música, e principalmente com a ideia dos clipes, desde o começo do EP Wild, que deu origem a esta sequência de vídeos. No entanto, desde o começo estamos vendo uma situação complicada, de um pai preconceituoso e alcoólatra que não aceita que o filho seja “diferente dos demais”. Ele tenta de todas as maneiras que seu filho se interesse pelo conserto de carros e barcos, pelas paqueras com as meninas, mas o mesmo tempo vê a amizade de seu filho com Troye ser como uma ameaça a este sonho.

Em contrapartida, o vício do pai em bebida causa um certo clima com o filho durante a infância, mostrado em Wild, quando o progenitor conhece a família de Troye. O desenrolar da história acontece em momentos distintos de cada vídeo e o ápice é quando o pai sabe do envolvimento amoroso e sexual do filho com Troye. A riqueza de detalhes e principalmente a cena pesada da agressão entre pai e filho em Fools mostra que Sivan caminhou a todo o momento pelo lado certo da história.

O clipe de Talk Me Down só veio a dar um desfecho triste de uma história de amor gay que nunca se mostrou a dar certo. Por algum motivo não explicado o pai morre e o filho sente-se culpado por isso, onde acaba cometendo suicídio no final do vídeo.

Infelizmente, meus caros, essa é a realidade que por muitas vezes acontecem. Todos pedem um final feliz para demonstrar que a felicidade em um casal do mesmo sexo realmente existe, mas a sociedade em si é muito preconceituosa em aprovar uma causa tão nobre quanto Troye quis demonstraria se finalizasse o minifilme com um happy ending. Por um momento nós vimos a felicidade nos dois meninos enquanto crianças, mas a inocência da infância não deixa transparecer os problemas causados pelos adultos. E foi isso que Troye escolheu para iniciar sua história, que termina de forma melancólica, mas retratada da maneira firme e brilhante.

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Originally published at umpequenojornalista.wordpress.com on October 21, 2015.

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