Hábitos e habitantes

O extravasamento mais belo da discrição é visto nos bairros bucólicos da urbe: são aqueles residentes que deixam recobrir seus muros — pedido tácito por alguma privacidade frente aos passantes — pelos ramos verdes de alguma trepadeira, algo tão melhor que encimá-los com cercas elétricas ou fios de arame farpado. Assim, mostram-se abertos ao olhar admirador (não são bonitas as folhas sobrepujando o topo da barreira de cimento e se enredando pelos postes de iluminação?). Mantêm, compreensivelmente, a reserva do que só se pode adentrar com um convite polido, explícito. Tal qual certas personalidades com que deparamo-nos: não devemos exigir delas a abertura incauta que porventura exibamos orgulhosos, mas, sim, atitudes expressivas mais caras ao resguardo natural que a uma ameaça metálica. Adotemos, então, um olhar equivalentemente habituado. Em algum momento, talvez nem os muros sejam necessários.

Like what you read? Give Nicholas Shores a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.