Biscoito ou bolacha?

Nickolas Ranullo
Aug 8, 2017 · 2 min read

O transporte público, por vezes, rende boas histórias. Eu me lembro de uma que aconteceu numa dessas tardes em que peguei o metrô para voltar pra casa. Nunca fico sem as minhas músicas, afinal de contas, alguma coisa precisa me distrair de todo o estresse do dia.

Eu estava no metrô e tinha dado a sorte de encontrar um lugar para me sentar. Enquanto mexia no celular para trocar a música que ouvia, percebi que um casal discutia atrás de mim. Com uma curiosidade quase jornalística, tratei de pausar o som para para ouvir sobre o que se tratava a conversa deles.

  • Você não pode estar falando sério. Você sabe que é biscoito.
  • Cara, como assim? — a moça riu — É bolacha. Todo mundo sabe disso.
  • Na embalagem tá escrito biscoito, olha! — o rapaz pareceu abrir uma bolsa e então sacou um pacote de biscoito (ou bolacha, eu não vou entrar na discussão por agora) — Viu?! — ele parecia realmente satisfeito consigo mesmo.
  • E daí? Eu cresci chamando de bolacha. Todo mundo que eu conheço chama de bolacha. Biscoito é uma parte da bolacha.
  • Uma parte?
  • É! — a moça parecia se divertir com a discussão e, admito, eu também estava — Dois biscoitos com o recheio fazem uma bolacha.
  • Não, mano! Tá aqui, ó: biscoito sabor chocolate com recheio sabor chocolate! Tudo é um biscoito.

O trem parou na estação e os dois se levantaram apressados e saíram. A divertida discussão acabou fazendo com que eles quase perdessem a noção de onde estavam.

Eu, porém, segui a viagem, mas admito que a discussão tinha me deixado pensativo. É engraçada a forma que as pessoas se prendem a “rótulos”. A gente prefere dar nome a tudo ao invés de apenas aproveitar o que aquele momento nos proporciona.

Não importa se é bolacha ou biscoito, o que importa é que é gostoso.

Recebi uma mensagem no celular. “Vamos nos ver hoje a noite?”. Eu sorri.

Não importa se é por uma noite ou se vai durar a vida inteira, o que importa é que é gostoso.

Nickolas Ranullo

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"Não digam a minha mãe que sou jornalista, prefiro que continue acreditando que toco piano num bordel".

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