Escritos

Nickolas Ranullo
Jul 27, 2017 · 4 min read

Acho que foi na minha 5° série que eu desenvolvi um carinho ainda maior pela arte de escrever. Sim, arte. Escrever é uma arte. E digo isso pois vejo a forma que cada palavra pode tocar alguém. As palavras tem peso, tamanho e, principalmente, força. Entendi isso quando li um dos livros que eram “obrigação” do colégio: “Crônicas 2”, de uma coleção chamada “Para gostar de ler”. E não é que eu realmente gostei?

Os anos foram se passando e eu fui criando um gosto maior pelas palavras, pelas histórias. Gostei tanto que pensei em me tornar professor de história! Cheguei a dar aulas de reforço para alguns amigos, fui incentivado pela minha então professora a dar aulas especiais também em outras turmas, então me aprofundei um pouco mais em temas como China, Templários, Atlântida. Curiosidades, no fim das contas.

História. Eu seria professor. Eu ensinaria pessoas a entender o valor de se saber de onde se vem para que, no final, a gente saiba que pode ir além.

Eu desisti de história, curiosamente, quando vi um repórter esportivo, Luiz Ceará, então na Bandeirantes, contando uma história sobre um encontro dele com o Ronaldo Fenômeno — ídolo meu, então jogador do Corinthians, meu time de coração— ainda garoto, na copa de 94, nos Estados Unidos. Ali eu entendi que mais do que contar a história, eu queria vivê-la também. Fui para o jornalismo.

Quando entrei na faculdade, jornalista não precisava de diploma. Durante o curso, jornalista passou a precisar novamente de diploma. Então não precisava mais. Então precisava de novo. Tira casaco. Põe casaco. Me formei e demorei mais tempo do que gostaria para pegar meu diploma. Vocês entendem, tem alguns “q’s” de qualidade que enganam bem. O importante é que durante os quatro— nem tão longos, é verdade — anos de faculdade, eu me esforcei para que me aproximasse o máximo possível de um estilo de leitura que agradasse a mim e aos meus futuros leitores da mesma forma que outros autores me agradaram naquela minha 5° série com retratos de um cotidiano que, de tão bem escritos, não pareciam em nada com o que vivemos no nosso dia a dia.

Entrei na pós-graduação com o foco em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte — essa sempre foi a área que mais me chamou a atenção na faculdade, logo… O objetivo agora tinha, também, se fundido com um desejo antigo: eu queria (e ainda quero) ser professor. Queria ir além por saber de onde eu vinha. E para que isso acontecesse, eu teria de estudar mais.

Antes mesmo de terminar a pós-graduação (essa realmente precisava de diploma), eu conheci algo que se tornaria mais uma das minhas paixões: a fotografia. Demorei alguns dias — e muitas fotos ruins — pra entender que o que eu captava pela câmera do celular não era apenas uma cena. Era, também, história. Era um momento.

Nesse meu novo “caminho”, conheci uma fotógrafa extremamente talentosa. Começamos a conversar e em um dia qualquer, enquanto eu elogiava — como elogio até hoje quando acho que já deixei de ser chato o suficiente — o trabalho dela, ela me enviou um link com mais fotos. Não precisei de muito para me apaixonar pela forma em que os olhos puxados dela captavam o mundo e a história daquele momento. Brinquei, então, que as fotos dela renderiam textos. Ela se animou com a ideia e pediu para que quando eu escrevesse algum, que mandasse para ela. Alguns dias se passaram até que eu finalmente escrevesse uma crônica sobre a foto de uma praia e mandei para algumas pessoas, mas não para a fotógrafa em questão. Me faltava jeito — e coragem. Gostaram tanto que meu ego, amaciado pelos elogios, me empurrou para que eu escrevesse um pouco mais. Fiz mais uma crônica. E mais uma. E mais uma. E mais uma. E escrevi por quase 9 meses. Uma gestação, quase. Disso nasceu um filho, um livro. E, por incrível que seja, um romance.

Hoje a fotógrafa de olhos puxados sabe da existência desse livro, já o tem em mãos — ou quase isso. Não nego que precisei de coragem — e algumas (muitas) cervejas — para que finalmente contasse pra ela sobre toda a inspiração que ela me trouxe.

Hoje eu olho de onde vim e… Me sinto feliz por ter chego até aqui, mesmo sem ter a menor ideia de como exatamente eu vim parar aqui. O importante, porém, é que eu sei que não quero parar aqui. E eu não vou parar.

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