Um caso do acaso

Essa história começou muito tempo atrás, num bar de esquina. Eu estava sozinho. O copo de cerveja era minha única companhia.

Um encontro que trouxe tudo aquilo que é tão casual no acaso. Destino, dizem. Tem gente que acredita, tem gente que desconfia, tem gente que só vive, no final das contas.

Uma. Duas. Três cervejas.

Risadas. Conversa boa.

Um café.

Conversa ainda melhor. Um beijo. Dois beijos. Três beijos. Quem perdeu a conta?

Um segundo e, pela minha parte, como sempre, inesperado encontro.

Uma casa com um jardim cheio de rosas.

Uma escada perdida.

Uma vontade que já não quer se esconder tanto.

Mais beijos.

Um terceiro, e dessa vez, já esperado por mim, encontro.

Um pôr do sol.

Um casal.

Um casal de pombinhos.

Trufas.

A história caminhou tanto e ainda sim, enquanto a voz do Silva, suave, ecoava pela sala, eu ainda sentia como se fosse a primeira vez.

“Seja eu! Deixa que eu seja eu e aceita o que seja seu, então deita e aceita eu”

O cheiro de um café recém passado acompanhava o gostoso clima.

As canecas, tanto a minha quanto a dela, estavam em cima da mesinha de centro da sala. Era possível sentir um leve perfume da canela que acompanhava o café dela no ar também.

Tínhamos acabado de chegar em casa, depois de uma dessas chuvas de verão.

As roupas molhadas tinham ganho o caminho do sofá, saindo da cozinha, depois de preparar o café.

“Molha eu, seca eu, deixa que eu seja o céu e receba o que seja seu. Anoiteça e amanheça eu”

O nosso calor parecia secar os nossos corpos.

Meu corpo caindo suavemente por sobre o dela, enquanto os beijos ganhavam seus próprios caminhos de idas e vindas.

Ela ria, por cócegas involuntárias, de vez em quando.

Eu sorria, por ver o brilho que seus olhos carregavam, pela pele arrepiada e por gostar cada vez mais dela.

“Beija eu, beija eu, beija eu, me beija… Deixa o que seja ser”

Os encontros dos lábios eram como nossos encontros no decorrer do tempo. Ganhavam quantidade. Ganhavam vontade. Ganhavam intensidade.

Lá fora, a noite caia.

Aqui dentro, caíamos do sofá pro chão.

Ríamos da nossa falta de jeito.

Deixávamos ser o que éramos.

Um caso do acaso.

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