Que loucura cara, que loucura.
Depois de finalmente dormir após cinco dias, Antônio acorda, estava chovendo e ele odiara o fato de acordar, por ele dormiria pra sempre, acabou de perder seu emprego e mais uma vez, estava sozinho no mundo. Sentia um peso nas suas costas mas ele já estava lá há algum tempo, porém percebeu ao puxar sua coberta uma dor lacerante no peito, e depois de gritar de dor, ao ver o que se encontrava em seu peito gritou de desespero, eram onze horas da manhã de uma terça feira e seu grito passou despercebido e abafado pelos barulhos da cidade, uma adaga se encontrava estacada em seu peito
Correu para o banheiro, aquilo não estava sangrando, mas ele podia sentir todo seu peso dentro de sua musculatura, tentou em vão tirar, pensou em ir ao médico mas aquilo parecia parte dele, apesar de uma pequena dificuldade pra respirar aquilo não parecia estar a ponto de parecer fatal, apesar da faca estar literalmente encravada em seu peito. Resolveu ir ao hospital, colocou uma camisa de botões porque seria impossível colocar uma de suas costumeiras camisas de algodão.
Foi a pé até o posto de atendimento mais próximo, atraindo alguns olhares curiosos que o incomodaram profundamente, mas era compreensível, no caminho pensava como diabos aquilo foi parar lá, nunca havia visto aquela faca antes, nem nenhuma faca daquele tipo, muito menos teria uma daquela em sua casa, será que alguém invadiu sua casa de madrugada e o apunhalou? Mas não havia sinais de arrombamento e tudo estava no lugar, seu dinheiro, documentos, um computador, uma tv e um video game, tudo que tinha estava exatamente lá.
Ao chegar ao Posto de atendimento foi movido para a emergência rapidamente posto em uma maca e enfermeiras mediram sua pressão e constataram o ferimento, parecia que a faca sempre esteve lá, nenhum sinal de ferida, a faca simplesmente estava estacada em seu peito sem sinal de lesão, o médico residente no posto se pasmou com seu quadro, pediu um raio x e acompanhou todo o procedimento, verificou a respiração, batimentos e tudo mais, os batimentos pareciam normal e a faca não havia ferido nenhuma das artérias de certa forma ela foi cirurgicamente posta ali, após responder que estava tudo bem, o médico o chamou pra conversar em uma sala isolada. A sala era um consultório, o mais simples possível, uma mesa, uma balança, uma pia, um banheiro e claro as cadeiras simples dos pacientes e uma confortável poltrona para o médico, na mesa um computador bem simples, algumas fotos e papeladas médicas, o doutor começou.
-Sente-se meu caro, Bom tarde Antônio, as enfermeiras disseram que você não faz ideia como isso foi parar ai certo?
-Certo doutor.
-Pois então, nós também não, eu não me vejo apto a tirar isso dai sem mais exames, ou sem um cirurgião cardiologista, ao que meus exames indicam ela não tem trazido nenhum perigo pra sua vida até agora, mas ela deve estar a milímetros de qualquer veia, não há sinal de hemorragia interna ou externa, mas ainda sim precisamos de mais exames para determinar tudo, eu posso te indicar para um cardiologista com emergência.
-Doutor, eu preciso alimentar meus cachorros e almoçar, me passe o endereço que irei lá depois de cumprir minhas obrigações, o senhor mesmo disse que isso parece não estar trazendo nenhum risco pra minha vida.
-Isso é completamente contra indicado, não temos os exames suficientes pra ter certeza disso e assumo que nunca vi um caso parecido, para te liberar eu preciso que assine um atestado de consciência em que está ciente das indicações médicas e mesmo assim quer voltar para sua casa, posso providenciar porque não posso te prender aqui, mas é altamente recomendável que vá diretamente daqui para o especialista.
Não quis mais discutir, assinou os papeis apressado e foi pra sua casa, no caminho pensava — Meu deus o que diabos aconteceu e está acontecendo? Será que eu to morto e não percebi e estou vagando igual o Nicolas Cage no filme de gente morta? Que loucura cara, que loucura.
