21

Minha mãe sempre disse pra mim que vinte e um era a idade que marcava o início da fase adulta. Pensava que num sentido biológico, ok, mas quanto mais eu chegava perto dos 21, menos achava que alguma coisa havia mudado.
Pensando agora sobre os últimos meses, não sei se posso dizer a mesma coisa. 
Tenho andado com um misto de aflições e tive que comprometer uma boa parte do meu tempo pra reflexão interna, e acabei atentando pro fato de ter ignorado meus problemas. A doença da minha vó. A presença da morte que sempre sonda a vida de todos. A graduação que anda mal. Conflitos familiares. Desamor. Desemprego. Falha na comunicação. Problemas físicos. Correria cotidiana. Afastamento diário. Agonia. Raiva. Tristeza.
Ufa.
Confesso que as vezes tive alguma impressão de que era uma pessoa de extremo bom senso. Hoje já não tenho certeza.
Porque por mais que eu tenha lido ou vivenciado coisas ruins com pessoas que não se importaram, eu inconscientemente procure o mesmo padrão pra me relacionar.
Porque por mais que eu tente ser uma pessoa que se sensibiliza ao contatar outro ser humano, talvez eu não seja capaz.
Porque eu reclamo das pessoas que me oprimem, mas é bastante provavel que eu aja como tal com outras pessoas (e talvez nem me toque).
Porque eu gosto das minhas ideias e do meu jeito, até que paro pra pensar que provavelmente no futuro, serão conservadores (ah, as discrepâncias entre gerações…)
Principalmente porque reparo que as vezes esqueço que cada um tem um processo de amadurecimento, e que as pessoas erram mesmo. Inclusive eu mesma.
É realmente massante o modo como nos armamos. Não vou julgar se não é necessário, mas é massante. Correr a noite no caminho de volta pra casa, pensar duas vezes antes de falar, não pensar duas vezes antes de falar, julgar sem pensar muito por traumas anteriores : coisa que sempre achei sinônimo de sabedoria. Militância. Internet e tecnologia — abençoada seja, ou não.
Eu só quero poder me desarmar um pouco disso tudo esta noite, e deitar a cabeça no travesseiro pensando que eu sou só eu, que tenho um sonhos toscos, cometo alguns erros, e (espero) amadureço.

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