Sleep Hollow

Acordei sentindo que estava sufocando, sem ar, fiquei hiperventilando no escuro por uns minutos sem ter certeza se era sonho ou realidade. Tirei o lençol, senti muito calor mas não parecia um calor externo. Não conseguia ficar deitada, tinha medo de voltar a dormir. Acendi a luz como que para me dar uma sensação de segurança, estava com uma tontura misturada com enjoo. Liguei a tv para ter barulho e luz. Na minha cabeça tudo durou horas, mas acho que foram 10 ou 15 minutos.

O mais surreal era o medo de dormir.
E meu coração acelerado com a sensação de que tudo de ruim poderia acontecer ali. De que meu coração pararia a qualquer minuto. Eu precisava gritar bem alto, mas o simples ruído dos meus pés sob o chão frio me doíam os ouvidos. Eu queria silêncio e som.

Bebi água, fiquei me concentrando que aquilo era só um efeito estranho do uso de tecnologias. Aí consegui relaxar e dormir.

Aprendi a lidar com a paralisia do sono, aquela sensação de estar acordada mas não conseguir falar, se mexer, sentir um peso sobre você, uma aflição no coração, uma certeza do fim. Com o tempo eu consegui conviver com aquilo, a relaxar. Isso só acontece quando estou muito cansada e não durmo tempo suficiente ou não posso dormir tranquilamente. Mas esse pânico foi totalmente novo, foi desordenado e chegou a doer. Pela manhã me sentia bem, mas tinha algo quebrado. É como um problema não resolvido que fica implicando com sua mente toda hora. Pesquisei logo cedo “pânico noturno”, e lá estava. Muita gente tem. Ansiedade provoca isso. Tá tudo bem. Vai ficar tudo bem. Só não sei se quero dormir de novo.