Uma Batucada dos Diabos

Sempre que pensar em batuque, vou pensar em você. Aquele carnaval foi uma batucada dos diabos. E que carnaval.

Ontem foi simplesmente, como posso dizer, poético. Tal qual num romance do século XX, andávamos na beira-mar, de mãos dadas, jogando papo pro ar. Não esperava que fosse assim tão bom, e nem que a noite saísse exatamente do jeito que eu planejava, com apenas um imprevisto, o burburinho no meu peito.

Teus olhos me fazem subir um arrepio pela espinha, me deixam num misto de frenesi com paixão, num frenesi apaixonado, nem fechando as pálpebras passa. Porra. Sob a luminária do restaurante eles ficam mais claros, e a maquiagem ao redor fica mais evidente. Acho engraçado como mulher precisa de maquiagem pra se sentir arrumada. Dá pra explicar isso pela necessidade de se sentir bonita? Pelo desejo de corrigir suas falhas? A língua chinesa é cheia de falhas e é linda. E ai você se ajeita pro lado, e seus olhos passam para a penumbra que existe fora da luz da luminária. Transformam-se em duas pérolas negras e reluzentes. Me formiga um sorriso no rosto só de lembrar.

Andando pelo calçadão da Praia da Costa eu reparei que nunca tinha passado por ali com uma menina me sentindo tão… natural. Estava de boa. Mil e uma vozes, de vendedores, conhecidos e desconhecidos assobiando nos meus tímpanos, mas só me prendia a sua. Acho que é pela fato de associar sua voz à sua boca. Sua boca é o meu deleite.

Sentados naquele banquinho era impossível controlar a batucada do meu peito.

Também, pudera, sua pele é túnica de cetim.

Eu gosto dos opostos, sabe, como o Ying e Yang. O Tao. A vida é um eterno paradoxo. Aí me vem você, toda delicadinha, e eu todo “foda-se”. Antitético, não acha? Você me traz tudo isso à mente. É gostoso estar junto de alguém que estimula sua atividade intelectual. A vastidão de assuntos que nossas conversas alçam é, no mínimo, admirável. Falando nisso, creio que os atritos sócio-políticos na Coréia do Sul vão ser aproveitadas pela Rússia de alguma forma. Como? Não sei.

Obrigado por me dar vontade de escrever isso.

Aqueles momentos na sua sala-de-estar ouvindo pagode e discutindo sobre a eficiência da administração petista foram maravilhosos. Quando eu ia encontrar uma mulher dessas?

E a sua voz ressoava enquanto andávamos no calçadão. Ainda ressoa em minha cabeça. Até agora.

Após o sexo você se levantou e foi. Te fiz cativa entre meus braços por uns momentos. Bons momentos. A sensação da ponta do seu nariz tocando a ponta do meu é extasiante. Suas costelinhas, delicadinhas, subindo e descendo, subindo e descendo, enquanto você respira, são mais bonitas que a própria Pietà. Seus seios roçando minha pele me satisfazem, me inebriam. Aquele piercieng no seu mamilo me deixa louco.

E mais uma vez, volto a soltar o player do youtube: Jorge Aragão. Um sorriso.

Essa batucada me chacoalha por dentro e por fora, que nem o Bloco da Galinha Preta. Sambei tanto que as pernas doeram no outro dia. Aquele carnaval foi uma batucada dos diabos.

E que carnaval.

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