às grades

Imploro que não tornem a me prender. Imploro que não me encarcerem de novo nessas novas paredes. Imploro que se abram pra que eu alce meus voos cada vez mais altos e distantes.

Por favor. Deixem-me voar. Prometi a mim mesma que iria. O que mais iria fazer, se não permitir-me (exigir-me, obrigar-me) voar?

Não me prendam aqui outra vez. Deixem minhas pernas e minhas asas irem. Não cerquem meu coração. Não imponham que ele fique, quando tudo o que quer é ir.

Por favor, só por hoje, me deixem sair. E amanhã de novo. E todos os dias só-por-hoje.

Não deixem que eu saia, que eu as arrebento sem medo! Sim. Procuro a força que eu não tenho e as rasgo como papel. Fui eu quem decidi que esse mundo é o que minhas asas devem abraçar e grade nenhuma poderá me limitar.

Nem mesmo as minhas próprias.