Ame o seu amigo pé-frio

Há pelo menos duas semanas fui tomada por uma maré de azar, a famosa zica. Percebi sua chegada numa quarta-feira, durante um jogo do Corinthians, porém, logo depois notei que ela já estava presente há mais tempo. Talvez desde o primeiro domingo da NFL, quando estava torcendo com força pelo Seahawks e, mais tarde, contra o Cowboys, ou mesmo no dia seguinte, quando meu Philadelphia Eagles perdeu para o Falcons.

Mas não. Foi antes. Reparei que o Timão perdeu os últimos cinco jogos que eu assisti. Quando contei, alguns acharam que era uma boa ideia eu continuar assistindo, outros pediram pra eu parar de assistir só para eles testarem uma coisa. Até pensei em fazer isso, mas o jogo já estava bem no final.

No último domingo, o Eagles perdeu novamente. E, à noite, o Seahawks também. Segunda-feira, resolvi dar uma chance ao Colts (um dos times que eu mais odiei na temporada passada) e torci para eles ganharem do Jets. Não deu certo, de novo. Todos já haviam assumido que eu estava possuída pelo espírito de Mick Jagger.

Porém, na última quarta-feira algo interessante ocorreu. Estava assistindo ao jogo de Palmeiras e Internacional pela Copa do Brasil. Torci pelo Palmeiras já que eu eliminei o Corinthians do campeonato no jogo contra o Santos. Então, vi diante dos meus olhos o Palestra empatar. Era a coisa mais razoável que acontecia a algum time favorito meu em muito tempo. Senti que ela estava indo embora, mas não quis cantar vitória antes da hora.

Resolvi fazer o teste: torci pelo New York Giants no jogo da quinta-feira. E tudo que eu vi foi o time do irmão-do-Peyton-Manning pontuar, do começo ao fim. No segundo período o Redskins reagiu e ameaçou, porém eu já sabia: estava livre da zica. Meus pés estavam aquecendo novamente.

Ela pode voltar? Sim. Contanto que não seja no próximo domingo, confio que verei a primeira vitória do meu Eagles nessa temporada.

E aqui fica meu recado: ninguém está livre dela, ela pode chegar quando você menos perceber e todo mundo tem um amigo pé frio. Aquele que, na melhor das intenções, torce pela vitória do seu time e acaba, no fim da conta, estragando tudo. Ame-o. Seja paciente. Ele vai errar, mas pode chegar o dia em que o jogo vira, a sorte muda, e ele acerta.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Nila Maria’s story.