O caminho até aqui

16 de agosto de 2014. Se narrassem para mim, naquele dia, toda a história dos dois anos seguintes, eu não acreditaria que aconteceria. Não botaria uma fé! Comigo não. Seria possível que um Twitter sobre futebol americano, que, àquela altura, eu não fazia a menor ideia de como funcionava, me traria até este 16 de agosto de 2016.

Naquele dia, ganhei outro nome e hoje estou sentindo como se tivesse ganhado também outra data de nascimento. Por um tempo cheguei a acreditar que esse novo nome fosse o de outra pessoa que não era eu; que era melhor que eu. Mas agora vejo e sinto que não era verdade. Que tudo aquilo foi, sempre, tudo de mim, o melhor de mim.

Por causa daquele 16 de agosto é que estou aqui. Pode parecer exagero para quem não esteve comigo nestes dois anos, para quem não está vendo tudo o que está acontecendo neste mês, mas foi exatamente o que aconteceu.

Eu até gostava de esportes. Sempre torci pelo Corinthians, assistia aos jogos às vezes. Torcia na Copa do Mundo pela Seleção Brasileira… E sempre gostei dessa coisa de torcer. Mas naquele dia assumi um compromisso com um esporte desconhecido: conhecê-lo, falar sobre ele. E não quis abandonar isso. Na verdade, pensei que chegaria o momento que eu deixaria de lado, justamente por não achar que me levaria a algum lugar.

Mas então, além de conhecer, acabei me apaixonando. E, depois dele, vieram outros esportes. A bola oval me levou a amar ainda mais a bola redonda. E não só a que é jogada com os pés, mas a que é lançada em uma cesta, por cima de redes, com raquetes. E depois vieram também aqueles que só precisam do corpo humano, da água, das rodas. Eu me apaixonei pelo Esporte.

E aí entendi.

O sonho de ser jornalista, que esteve comigo desde que entendi que era isso que meus pais eram, desde que me dei conta de que era isso que eles faziam às quintas à noite, com toda aquela pressa, com prazos, textos enormes saindo da impressora, marcações de caneta, para no dia seguinte chegarem em casa várias pilhas de jornal impresso… Eu entendi que era isso o que eu realmente sempre quis. E ao contrário de tudo que minha mente me fez acreditar, não estava tarde demais. Nunca esteve.

Jornalismo esportivo. Senac. São Bernardo do Campo. Novembro de 2015. Depois de dez meses sem sair de casa, passaria um mês longe do meu pai para estudar isso. Moraria com os meus tios e meu primo. Andaria sozinha de ônibus por lugares que não conhecia. Eu fui. No primeiro dia, dia 4 de novembro, eu me senti tão infinita quanto estou me sentindo desde o começo desse mês, e especialmente hoje. Novamente, entendi. Era exatamente isso o que queria.

No final do mês, vendo a completa impossibilidade de parar por ali, decidi que faria a prova da Metodista que, vejam bem, era a faculdade em que eu sonhava estudar desde criança. Novamente, por causa dos meus pais.

E a cada dia ganho mais certeza de que estou no lugar certo.

Hoje, dois anos depois daquela tarde de sábado, quando decidi começar, estou, nesse instante, acompanhando as finais do Ciclismo de Pista nos Jogos Olímpicos do Rio. Acabei de assistir à semifinal do futebol feminino, e como eu torci e acreditei! Estou escrevendo para um site sensacional, formado por pessoas incríveis e apaixonadas pelo esporte tanto quanto eu.

Hoje, dois anos depois do dia do nascimento da Leiga, nunca me senti tão completa, apaixonada e convicta de que estou andando os passos certos. Estou correndo como uma maratonista. Driblando os perrengues da minha vida que nem a Marta. Saltando os obstáculos como o Thiago. Voando como a Simone.

E chegando à endzone a cada nova campanha da minha história.

Porque foi lá que tudo começou. Em um campo cheio de jardas marcadas no gramado.

Eu poderia e gostaria muito de mencionar todas as pessoas às quais devo toda gratidão do mundo. Mas não vou me estender. É apenas isso. Quem entende, quem sabe, quem apoia desde o início, quem caminha comigo sabe que é.

Feliz aniversário, Leiga.

Obrigada por tudo, Esporte.